XP lança ETF que foca em empresas com mulheres na liderança

Fundo vai replicar ETF SHE, negociado nos EUA e que tem 168 companhias listadas

 

A XP lança nesta sexta-feira (11) um fundo de ações que investe apenas em empresas com uma proporção relevante de mulheres na liderança, o Trend Lideranças Femininas.

Na carteira estão as empresas listadas na bolsa americana que se destacam pela presença de mulheres em cargos de liderança, de cargos executivos a conselho administrativo. 

O fundo vai replicar o ETF SHE, já estruturado e negociado nos EUA.

A aplicação mínima é de R$ 100, com liquidez D+6 e uma taxa de administração de 0,5% ao ano. Há proteção cambial.

O produto foi trazido ao Brasil pela XP em meio ao avanço dos estudos que indicam que empresas com mais mulheres e diversidade na liderança têm performance superior em relação a seus pares pouco atentos à igualdade de gênero.  

Entre as dez principais posições do fundo estão PayPal, que tem uma mulher como CEO na filial da empresa no Brasil, a Netflix, com a diretora de marketing Bozoma Saint John (ex-Uber e Apple), e Johnson&Johnson, que tem quatro diretoras logo abaixo do CEO, lembra Beatriz Vergueiro, head de produtos ESG na XP.

Da taxa de administração, 20% será repassada ao Instituto As Valquírias, voltado à educação de mulheres crianças e jovens em situação de extrema pobreza. A ideia é que com o dinheiro arrecadado, cerca de 700 meninas e mulheres assistidas pelo instituto consigam ser atendidas em um programa de educação financeira e capacitação profissional. 

A estruturação do índice

As mil maiores empresas listadas na bolsa de valores dos EUA são divididas em setores e a partir daí analisadas em relação à proporção de mulheres nos cargos de vice-presidência, presidência de conselho de administração. As companhias com as maiores proporções em relação ao total de funcionários da empresa são selecionadas.

“É importante que elas sejam bem avaliadas em relação a seus pares setoriais”, explica José Tibães, responsável por Fundos de Investimento na XP.

Há um limite de 5% de posição em cada empresa. Segundo Tibães, a proposta é ter mais empresas com lideranças femininas em diferentes setores e não priorizar negócios ou setores específicos.

Apesar da intenção multisetorial, hoje 30,78% da carteira está alocado no setor de tecnologia. Empresas de saúde têm 15,16% de representatividade, financeiro, 12,15%, indústria, 11,88% e energia, 2,31%.

Das mil empresas analisadas, 168 passaram pelos filtros do gestor do índice, o State Street Global Advisors O fundo é balanceado anualmente em julho. 

Constituído em março de 2016, o fundo tem US$ 133,27 milhões, ou quase R$ 700 milhões de patrimônio. Ao longo dos últimos 12 meses, que inclui a crise da pandemia, a rentabilidade do fundo foi 4%. Desde o início da negociação, a rentabilidade média de 8,80% ao ano.

A XP pretende levantar com o fundo R$ 100 milhões até o fim de 2020. 

Outras iniciativas 

O produto da XP vem se somar a de outras gestoras que criaram produtos focados em investimentos em empresas com lideranças femininas. E há brasileiras na carteira.

A Warren lançou em março deste ano o Warren Equals FIA, que com R$ 7,39 milhões na carteira, e alocações em Magazine Luiza, Arezzo e Itaú, Santander e Natura.

Em setembro, a Vitreo lançou, em parceria com a Franklin Templeton, um fundo de investimento em empresas que comprovem ter diversidade de gênero como política interna.

O pioneiro foi o Banco do Brasil que, em 2018 estruturou um fundo com empresas que assumiram publicamente o compromisso da equidade de gênero.