TCFD

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A TCFD, ou Task Force on Climate-Related Financial Disclosures, como diz o nome, é uma força-tarefa que reúne uma série de organizações com o objetivo de desenvolver um padrão comum para que empresas possam medir e divulgar os riscos financeiros relacionados ao clima.

O objetivo é servir de ferramenta para que investidores, credores e outros possam se informar sobre os riscos incorridos pelas empresas na área climática.

É útil para que credores atribuam um preço ao risco na hora de conceder empréstimos e que investidores possam trazer a valor presente os riscos e oportunidades advindos da mudança do clima.

A TCFD nasceu em 2015 dentro do Financial Stability Board (FSB), o braço operacional de assuntos financeiros do G20, que reúne presidentes de bancos centrais e ministros da economia dos países-membros. 

Enquanto a maior parte dos padrões para se reportar questões ESG nasceram de iniciativas da ONU, um dos principais diferenciais da TCFD é que ela nasceu no sistema financeiro e, portanto, fala o idioma do mercado. 

Entre investidores, a lista de endossos é superlativa. Inclui a BlackRock, maior gestora de recursos do mundo; o fundo de petróleo da Noruega, maior fundo soberano do mundo, e o fundo do governo do Japão, o maior fundo de pensão. 

O seu idealizador foi Mark Carney, então presidente do Bank of England, e um dos pioneiros a alertar para o fato de que as mudanças climáticas poderiam representar um risco sistêmico para o sistema financeiro mundial. O financista e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg é o chairman da iniciativa. 

Em junho de 2017, a TCFD divulgou um framework de padronização com quatro pilares 

Os dois primeiros, de governança e de gestão de riscos, dizem respeito ao presente: referem-se à atribuição de responsabilidades sobre as questões climáticas e aos processos empregados pelas organizações para identificar, avaliar e gerenciar essas questões. 

As outras duas facetas, de estratégia e ‘métricas e metas’, podem exigir alguma futurologia, com análises e modelagens dos eventuais cenários climáticos, específicos para cada negócio e região de atuação. 

Entre as recomendações está a de que as empresas definam um preço interno de carbono, além de métricas para oportunidades relacionadas ao clima, como receita de produtos e serviços para uma economia de baixo carbono. 

De acordo com o último relatório de acompanhamento da TCFD, de junho de 2019, as empresas apoiadoras estavam reportando, em média, apenas 3,6 das 11 recomendações feitas pelo framework.

Assim como em outros lugares do mundo, os bancos começaram o processo no Brasil. Itaú e Bradesco são signatários desde 2017. 

Entre as signatárias oficiais da TCFD estão nomes como B3, Bradesco, BRAM, CNSeg, BTG, Eletrobras, CPFL Energia, Duratex, Febraban, Itaú, Natura, Susep, Suzano e Vale.