Vanguard, BlackRock e mais 41 gestoras engrossam lista do ‘net zero’. A JGP se uniu a elas

Iniciativa lançada em dezembro já conta com 73 gestoras, que têm US$ 32 trilhões em ativos

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A ideia de colocar o peso do dinheiro dos investidores a favor da corrida para zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050 acaba de conquistar um reforço de peso.

BlackRock e Vanguard, duas das maiores gestoras de fundos do mundo, com US$ 8,7 trilhões e US$ 6 trilhões sob gestão respectivamente, aderiram à iniciativa Net Zero Asset Managers.

Outras 41 casas assinaram o compromisso, entre elas a brasileira JGP, que se une à Fama Investimentos, até então a única casa brasileira entre os signatários.

A iniciativa, lançada em dezembro do ano passado, agora conta com 73 das maiores gestoras globais, que possuem ao todo US$ 32 trilhões de ativos sob gestão, ou 36% do total de recursos geridos em todo o mundo.

Outros nomes de peso estão entre as novas signatárias, como Allianz, Aviva, Brookfield e a área de investimentos sustentáveis do J. Safra Sarasin.

Ao assinar o compromisso, as gestoras reconhecem a urgente necessidade de acelerar a transição para o net zero global. Porém, em um momento em que discursos floreados são amplamente divulgados e a ação efetiva ainda é escassa, a iniciativa busca ir um pouco além. 

Todos os novos membros do programa têm até um ano para definir metas parciais e proporcionais, mostrando o caminho para cumprir o objetivo de zerar as emissões até 2050.

Na JGP, meta antecipada

A brasileira JGP faz planos para atingir o net zero dez anos antes do prazo final. 

“Como administradores de mais de US$ 5 bilhões em asset under management, pretendemos adotar critérios cada vez mais rigorosos de impacto climático em nosso processo de tomada de decisão para novos investimentos, o que inclui ajudar a apoiar e financiar a transição para uma economia de baixo carbono. Faremos esforços para garantir que nossas operações sejam neutras em carbono até 2040, no mais tardar”, disse André Jakurski, sócio-fundador da casa, em comunicado.

A ação vai começar pela área de fundos estruturados. A ideia é investir em projetos carbono positivos que, num primeiro momento, vão gerar créditos para compensar a emissão do restante do portfólio da casa, explica José Pugas, sócio e head de ESG e Agro na JGP Crédito.

“Não ficaremos limitados a essa estratégia de geração de offsets, mas acreditamos que essa será a nossa estratégia de lançamento de forma complementar às nossas políticas atuais de ESG já aplicadas desde o ano passado.”

Ele cita que ainda há dificuldades adiante, como a definição de critérios consensuais sobre como calcular emissões em estratégias de fundos multimercado, por exemplo. “Acreditamos que teremos uma visão clara de qual abordagem será cientificamente mais consensual com a COP26.”

Foco na redução real 

O compromisso pede que as gestoras priorizem uma redução real nas emissões das empresas de seus portfólios, apontando que, se os signatários fizerem uso de offsets (compensações), eles terão que investir na remoção de carbono de longo prazo, em setores em que não há alternativas financeira e tecnologicamente viáveis para cortar significativamente as emissões.

Ainda em setores intensivos em carbono, a iniciativa cobra uma política de votos em assembleias que estejam de acordo com os objetivos ambientais, além de uma estratégia ativa de engajamento e stewardship.

Todas as signatárias precisam submeter um plano de ação climática com metodologia robusta, que deverá ser aprovado pela The Investor Agenda, além de reportar anualmente seu progresso, em linha com as recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD).

“As mudanças climáticas representam um risco material de longo prazo para as carteiras de nossos investidores. Como gestores dos ativos de nossos clientes, reconhecemos o papel crucial que nós desempenhamos para impulsionar o progresso real no risco climático ao longo do tempo”, afirmou o CEO e chairman do Vanguard, Tim Buckley, em comunicado. 

Dos novos signatários da iniciativa, muitos já haviam se comprometido com metas similares, como a Aviva, que prometeu zerar as emissões de portfólio de 355 bilhões de libras até 2040, mas agora os gestores possuem um framework mais amplo que fornecerá suporte e fiscalizará essa jornada.

A lista completa das 43 gestoras pode ser acessada aqui.

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