Suzano capta mais US$ 500 milhões com bônus sustentável e renova mínima de juros

Emissão saiu com yield de 3,1%, o menor de uma empresa brasileira para um título de 10 anos

 

Dois meses depois de emitir US$ 750 milhões em bônus atrelados a metas de sustentabilidade, a Suzano reabriu a emissão e captou mais US$ 500 milhões — desta vez não só com o menor juros da sua história, mas com a menor taxa para uma empresa brasileira numa emissão internacional de 10 anos. 

A fabricante de celulose vai pagar juros 3,1% ao ano, contra 3,95% na emissão original. O cupom, pago semestralmente, é de 3,75% ao ano. 

A forte demanda pelos papéis originais, de quase 10 vezes o valor da oferta, pressionou o rendimento do papel no mercado secundário e abriu oportunidade para aumento da captação. Na oferta aberta e encerrada hoje, a demanda pelos bonds ficou em cerca de quatro vezes. 

A liquidez forte nos mercados internacionais, especialmente após a eleição nos Estados Unidos, ajudou a empurrar os juros dos títulos em geral para baixo e a Suzano foi a primeira brasileira a aproveitar a janela com os resultados do terceiro trimestre.

Mas o desempenho dos papéis reforça o componente da sustentabilidade, disse o CFO da Suzano, Marcelo Bacci, ao Reset

Uma outra emissão tradicional da Suzano, que vence em 2030, está sendo negociada a 3,27% no mercado secundário, com um prêmio de 0,17 ponto percentual em relação à sustentável. 

Quando houve a emissão do título original, no começo de setembro esse gap era de 0,10 ponto percentual: 3,95% do bônus sustentável contra 4,05% do tradicional. 

“Essa diferença é o componente ESG”, diz Bacci, lembrando que o desconto do bônus sustentável, na prática, é maior, dado que ele tem vencimento um ano à frente do tradicional. 

A Suzano foi uma das pioneiras globais na emissão dos chamados sustainability-linked bonds.  Diferentemente dos green bonds, nesses títulos os recursos não são carimbados para um projeto específico com impactos ambientais. O uso dos recursos é livre, mas a emissão é atrelada a uma meta ambiental e social.

No caso da Suzano, a meta escolhida foi a de redução de 15% da intensidade das emissões de CO2 até 2030. A empresa fixou uma meta intermediária, a ser cumprida até 2025 e, caso falhe em alcançá-la, terá um aumento de 25 pontos-base da taxa paga no cupom do papel a partir de 2026. Como o cupom saiu a 3,75%, isso quer dizer que a taxa poderá ir a 4% ao ano.

A Suzano encerrou o terceiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 68 bilhões, equivalente a 4,4 vezes seu EBITDA.

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