Por que o Santander comprou a WayCarbon

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O Santander acaba de anunciar a compra de 80% da consultoria WayCarbon, numa transação que visa fortalecer a oferta de serviços de transição climática e deve marcar uma entrada mais forte do banco na originação de créditos de carbono.

Fundada há 15 anos, a WayCarbon ganhou forte tração nos últimos anos com a ascensão da temática ESG e oferece três serviços principais: consultoria ESG; software de gestão de estratégias ESG e de risco climático; e originação e comercialização de créditos de CO2.

Hoje, essa última área representa uma fatia de apenas 25% do faturamento do WayCarbon, mas a ideia é trazer dinheiro do banco para escalar o negócio, altamente dependente de capital. 

Por trás do negócio está a percepção de que há um descompasso entre a demanda por créditos de carbono e a oferta de qualidade desse tipo de ativo, tanto no Brasil quanto no mundo. 

 

“Enxergamos uma oportunidade única de posicionar o Santander à frente de um mercado que irá crescer de forma exponencial. A originação e a negociação de créditos de carbono são importantes ferramentas para acelerar tanto o corte quanto a compensação de emissões”, disse Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios do Santander Brasil, em nota. 

No Brasil, o banco tem um posição forte no financiamento ao agronegócio e é líder na emissão dos CBIOs, os certificados de redução de emissões de combustíveis renováveis emitidos dentro do programa RenovaBio – uma espécie de “mini mercado de carbono” brasileiro.

Além dos créditos de carbono, a transação deve permitir ampliar o leque do banco em serviços e oportunidades de transição climática, um tema cada vez mais demandado pelos clientes.

“Como referência em ESG, a WayCarbon nos ajudará tanto com nossos próprios objetivos quanto na transição de nossos clientes para modelos para negócios mais sustentáveis”, afirma José Linares, diretor global do Santander Corporate & Investment Banking em nota.

O Santander já se comprometeu globalmente a tornar sua carteira de crédito neutra em carbono até 2050 e tem o objetivo de mobilizar 120 bilhões de euros em negócios relacionados às finanças verdes entre 2019 e 2025, e 220 bilhões de euros até 2030.

A WayCarbon faz hoje a maior parte do faturamento com consultoria e o Climas, um software que se integra ao sistema de gestão das empresas e faz o cálculo automático de indicadores ESG. 

O Santander não é o primeiro banco a tentar ganhar escala no tema. No ano passado, o Itaú anunciou a criação de um marketplace global de créditos de carbono em parceria com outras três instituições financeiras internacionais, numa tacada para tentar capturar oportunidades na área de transição climática.

A transação foi fechada pelo Santander Espanha e deve conferir um alcance mais global à empresa brasileira, que seguirá como uma marca separada. 

“Com o Santander, aumentaremos a escala de nosso impacto positivo”, disse Felipe Bittencourt, CEO da WayCarbon, que segue no cargo. Hoje com cerca de 170 funcionários, a empresa atende três de cada quatro integrantes do Índice de Sustentabilidade da B3 e ajudou a elaborar os planos de ação climática de 11 cidades brasileiras. 

Em um um post no Linkedin, Bittencourt relatou que nos últimos anos a empresa foi abordada por consultorias a “gigantes de tecnologia” interessadas em adquirir o negócio. A WayCarbon fez um processo organizado de venda, do qual participaram 13 interessados nos últimos dois meses.

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