Rumo capta R$ 1,5 bi com antecipação de meta de redução de CO2

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A Rumo fechou na sexta-feira à noite uma captação de R$ 1,5 bilhão em debêntures com juros atrelados à redução de emissão de gases de efeito-estufa. 

Na prática, trata-se de um empréstimo do banco Itaú, que encarteirou a maior parte da emissão. Além disso, a asset do banco ficou com uma fatia da primeira série da emissão, segundo apurou o Reset

A dívida foi emitida em duas séries, de R$ 750 milhões cada. 

A primeira tem vencimento em seis anos e dois meses, com juros de CDI + 1,785% ao ano, enquanto a segunda — enquadrada como debênture de infraestrutura, que tem algumas vantagens fiscais — vence em 10 anos e dois meses e pagará IPCA + 4,77% ao ano. 

A operadora de ferrovias se comprometeu a reduzir a intensidade de emissões de gases de efeito-estufa (medida por emissão por toneladas por quilômetro útil) em 15% até 2023. Se cumprir a meta, as taxas caem 25 pontos-base a partir do ano seguinte.

Na emissão, a Rumo está antecipando a meta já comunicada no ano passado de atingir o percentual de redução em 2025. 

“Essa debênture vem carimbar essa meta de ser mais agressivo do que tínhamos prometido para o mercado.”, disse o CFO da Rumo, Ricardo Lewin. 

Questionado se a companhia pretende estabelecer novas metas de redução de médio e longo prazo, Lewin não quis cravar um novo número. 

“Ainda não sabemos, mas muito provavelmente devemos vir com metas mais agressivas”, afirmou, sem dar detalhes. 

A emissão contou com parecer de segunda opinião — documento que atesta a robustez das metas — da Resultante. 

A consultoria afirma que “a meta proposta pela Rumo é similar às metas propostas e resultados já alcançados por empresas globais do mesmo setor, referências em sustentabilidade”.

Eficiência

A Rumo é dos casos em que a redução de emissões de gases de efeito-estufa é consequência da melhora da eficiência da própria operação. 

A companhia já reduziu a intensidade das emissões de gases de efeito-estufa em 26% de 2015 a 2019, especialmente com a modernização do material rodante — que era bastante defasado, da época da antiga ALL —, e agora consome menos óleo diesel. Além disso, a empresa vem utilizando softwares e outras tecnologias para gerenciar de forma mais inteligente as rotas e evitar paradas desnecessárias e desperdício. 

A Rumo já tinha emitido US$ 500 milhões em green bonds no exterior em junho do ano passado, praticamente reabrindo o mercado de títulos com rótulo sustentável no pós-pandemia para empresas brasileiras.

Nos green bonds, os recursos são carimbados para projetos com benefícios ambientais — no caso da Rumo, a modernização das ferrovias e troca de material circulante. 

Já nos sustainability-linked bonds, como o fechado na sexta com o Itaú, os recursos podem ser utilizados para qualquer fim, mas a remuneração é atrelada a metas de sustentabilidade da empresa como um todo. 

De acordo Lewin, com a nova captação, hoje 30% da dívida bruta da companhia está atrelada a títulos com viés sustentável. 

Para cima ou para baixo?

Nas emissões de sustainability-linked bonds no mercado internacional, normalmente se usa o step-up, mecanismo em que a taxa a ser pagada pelo emissor sobe caso a empresa não cumpra as metas de sustentabilidade. Foi o caminho seguido por Suzano, Klabin, Simpar e Movida no começo do ano e mais recentemente, por Natura e Iochpe-Maxion

Mas, aqui dentro, onde o mercado de dívida ESG dedicada é pequeno e as emissões ainda têm sido predominantemente encarteiradas pelos bancos, algumas empresas têm optado pelo ‘step-down’, em que a taxa cai em caso de cumprimento, como Boticário e agora a Rumo. 

“O ponto aqui é você conseguir dar algum tipo de benefício para a companhia que está nessa jornada ESG e de fato está implementando as práticas”, afirma Luiza Vasconcellos, especialista ESG na área de renda fixa do Itaú BBA, banco que coordenou a operação. 

No mercado externo, algumas emissões foram precificadas com um ‘greenium’, ou um prêmio verde que se traduz em juros menores para as empresas na largada — caso de Suzano e Klabin, por exemplo. 

“Mas, no mercado interno, ainda não temos esse benefício de taxa porque ainda não temos uma massa crítica de fundos que te permita dar o benefício. Por isso que falar em step down talvez faça mais sentido”, diz Vasconcellos.

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