Raízen quer acelerar novas plantas de etanol de segunda geração

Sinergias com o E2G também aumentam curva de produção de biogás

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A Raízen pretende acelerar a construção de novas plantas de etanol de segunda geração, produzido a partir do bagaço de cana, afirmou o CEO da companhia, Ricardo Mussa, em encontro com investidores promovido hoje em São Paulo. 

“Três plantas por ano virou nosso padrão mínimo”, afirmou o executivo. “O mercado está com demanda muito forte e gostaria de acelerar esse processo porque o prêmio [de preço em relação ao combustível tradicional] está muito bom.”

Uma das principais dificuldades da companhia era a cadeia de fornecimento de equipamentos para as novas unidades industriais. 

A Raízen é a única companhia do mundo a produzir etanol a partir dos resíduos da cana em escala industrial do mundo, na planta de Costa Pinto em Piracicaba (SP), e toda a tecnologia é proprietária.

 

Agora, afirma Mussa, os fornecedores de equipamentos para as plantas do chamado E2G já estão mais azeitados e têm capacidade nominal para entregar até sete novas plantas de etanol celulósico por ano. 

“Agora, a bola está do nosso lado para decidirmos quando avançar”, disse Mussa.

Já há uma nova unidade em construção na unidade de Bonfim e há 15 dias a empresa anunciou que vai erguer mais duas plantas de E2G. A meta é ter 20 plantas até 2030.

Segundo ele, o prêmio em relação ao etanol tradicional, de primeira geração, está na casa dos 70% a 100% e há forte demanda por parte de clientes europeus para mistura mandatória em combustíveis fósseis, clientes asiáticos voltados principalmente para plásticos verdes, além de interesse por parte da indústria de combustível de aviação. 

O investimento em novas plantas do chamado E2G tem sido feito mediante o fechamento de fornecimento de longo prazo. Nas duas últimas unidades anunciadas, 80% da produção já foi vendida na frente. 

“A guerra na Ucrânia favoreceu o movimento de transição energética e os clientes querem empresas com capacidade de fechar contratos previsíveis, de longo prazo, e o nosso controle de matéria-prima é uma vantagem nesse sentido”, afirmou ao Reset. 

A Raízen já está estudando também a possibilidade de licenciamento da tecnologia de E2G para outros parceiros. 

“Estamos  explorando alternativas de licenciamento de tecnologia – e para isso precisávamos dessa capacidade de produção de equipamentos – e a receptividade tem sido grande”, disse Francis Queen, diretor de açúcar e renováveis da companhia, durante o Raízen Day.

A expansão no chamado E2G, produzido a partir dos resíduos da moagem de cana, foi uma das principais estratégias no IPO da Raízen, feito em agosto do ano passado.  

Num mercado avesso ao risco e desafiador na distribuição de combustíveis, os investidores, no entanto, ainda não estão pagando muito na frente pela empreitada – o preço das ações acumula queda de 20% desde a estreia na bolsa.

Sinergia com biogás

No encontro com investidores, a Raízen indicou ainda que a produção de biogás e biometano também está acima do que foi sinalizado na época do IPO – muito por conta das sinergias com o etanol de segunda geração. 

O etanol tradicional, feito a partir do caldo da cana, resulta na produção de 50 bilhões de litros de vinhaça, que é matéria-prima do biogás, por ano. No E2G, há potencial para produzir mais 30 bilhões de toneladas por ano. 

“A iniciativa do biogás fica muito mais atrativa quando a gente explora a sinergia dentro do bioparque com o nosso projeto de E2G”, disse Queen. “Estamos colocando etanol de segunda geração na planta de Bonfim que já tinha biogás, estamos fazendo a obra de biogás em Costa Pinto e pode ter certeza que naturalmente agora as duas plantas novas de E2G virão com discussão sobre implementação de biogás também.”

Segundo o CEO Ricardo Mussa, o E2G dá também mais rentabilidade à produção de biogás. Hoje, há duas formas de produzir o biogás: com a vinhaça, durante a safra, e com a chamada torta de filtro, que garante a planta rodando no período de entressafra, tecnologia que demanda mais investimento.

Com o etanol de segunda geração, praticamente não há necessidade de torta de filtro, e é possível produzir o ano todo apenas com a vinhaça – já que nessa rota de produção, na entressafra continua sendo moído o bagaço. 

Outra surpresa positiva segundo os executivos foi a demanda, especialmente com a possibilidade de injetar o biocombustível, transformado em biometano, na rede de distribuição de gás natural. (As moléculas são consideradas equivalentes.)

“O pior uso do biogás em termos de preço é eletricidade. O uso mais nobre é substituir o diesel na nossa frota própria [de caminhões], mas isso depende de trocar a frota e fazer a conversão. O segundo melhor uso é injetar na rede, e isso foi o que mais nos surpreendeu.”

Na usina de Costa Pinto, serão investidos R$ 300 milhões numa planta de biogás, com contratos de longo prazo fechados com a Volkswagen e a Yara Fertilizantes.

“A gente tem oito a dez unidades nossas próximas à Comgás e Gás Brasiliano. A gente vai ter uma boa parte do nosso gás sendo vendido injetando na rede”, disse o CEO.

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