Radar Reset: Bezos investe contra mudança climática (sem Amazônia) e outras leituras

O plano verde do Reino Unido — e as críticas a ele; A régua de CO2 dos bancos; Arábia Saudita aposta em hidrogênio, mas Saudi Aramco capta para petróleo para... 50 anos; e outras leituras recomendadas

 

Amazon sem Amazônia

Jeff Bezos anunciou a doação dos primeiros US$ 791 milhões de seu Earth Fund, criado para combater a mudança climática. Nada para a Amazônia. Dos 16 grupos agraciados,  nenhum desenvolve projetos para preservar a floresta que dá nome ao império do homem mais rico do planeta. Mas ainda há esperança: as doações são apenas o começo de seu compromisso de destinar US$ 10 bilhões para financiar cientistas, ativistas e ONGs pelo clima. “Se você esperava injeções maciças de dinheiro em organizações bem financiadas, incontroversas e estabelecidas há muito tempo, Bezos atende às expectativas”, escreveu a Recode.

 UK goes green? 

Nas últimas duas semanas, o Reino Unido acelerou sua agenda de economia verde, em grande medida para mostrar que não vai ficar devendo nada para a União Europeia nesse quesito com o Brexit. Na última quarta, o primeiro ministro, Boris Johnson, anunciou um plano de 10 pontos para transformar a economia do Reino Unido no ‘líder mundial em tecnologia e finanças verdes’.

Not so fast

A Bloomberg apontou que o pacote de Johnson serviu para deixar claro o quão distante o Reino Unido está de se tornar neutro em carbono até 2050. Especialistas dizem que o governo terá de mais do que dobrar os 12 bilhões de libras (US$ 16 bilhões) anunciados no pacote e apresentar um roteiro mais detalhado.

A régua de CO2 dos bancos

Um grupo de 87 instituições financeiras com US$ 17,8 tri em ativos, incluindo Morgan Stanley, Bank of America e Citigroup, está criando um padrão de contabilidade global para avaliar o impacto climático das transações financeiras, relata a Bloomberg. Com o padrão do Partnership for Carbon Accounting Financials será possível medir as emissões de gases de efeito estufa associadas a financiamentos e investimentos e comparar a pegada de carbono entre as instituições.

Hidrogênio das Arábias

O maior exportador de petróleo do mundo quer ser também o maior fornecedor de hidrogênio, combustível considerado essencial para conter as mudanças climáticas. As grandes reservas de gás natural da Arábia Saudita permitem produzir hidrogênio azul, que é feito quando o gás é reformado e o subproduto do CO2 é capturado. Em setembro, o país despachou para o Japão a primeira carga mundial de hidrogênio azul. O reino também quer produzir o chamado hidrogênio verde, a partir de energia solar.

Mas até lá… 

Enquanto não é possível fazer fortuna a partir do hidrogênio, o jeito é seguir faturando em cima do bom e velho petróleo. A estatal saudita Saudi Aramco fez a maior emissão de títulos de dívida de mercados emergentes nesta semana, num total de US$ 8 bilhões. A operação teve por objetivo ajudar a financiar o pagamento de dividendos de US$ 75 bilhões que a empresa prometeu aos acionistas antes que o preço do petróleo desabasse. Com enorme demanda, a operação enfureceu investidores que combatem a crise climática por conta do longuíssimo prazo dos papéis, de até 50 anos.

Tá com fôlego? Mais leituras

  • Cerca de 150 nações devem entregar planos climáticos mais fortes em 2020, mostra ferramenta de rastreio (Reuters)
  • Europa busca impulso de US$ 940 bilhões para parques eólicos offshore gigantes (Bloomberg)
  • Goldman escolhe seus vencedores no sorteio ESG (Bloomberg)
  • ESG cai na agenda de investimentos (FT)
  • Varejistas francesas ampliam cerco à soja de áreas desmatadas (Valor)