Radar Reset: A (velha) nova meta climática do Brasil e outras leituras recomendadas

O X da equação climática no Brasil; Dividindo o Facebook; Empresas listadas sem conselho?; e mais

 

O X da equação climática do Brasil

A nova meta climática apresentada pelo Brasil para o Acordo de Paris tem pouco de nova. O governo manteve o compromisso de reduzir os gases de efeito-estufa em 37% até 2025 em relação à base de 2005, e 43% até 2030.

O problema é que o texto muda o denominador da conta.

Em 2015, o Brasil falava em emissões de 2,1 bilhões de toneladas de carbono em 2005, enquanto o novo texto refere-se a uma revisão no inventário, que aponta uma linha-base de 2,8 bilhões de toneladas.

Na prática, isso significa que, de maneira absoluta, o Brasil poderá emitir 400 milhões de toneladas a mais do que no compromisso anterior até 2025, aponta o Observatório do Clima

Na contramão

A nova proposta pode se chocar com os termos do Acordo de Paris, que prevê que uma nova meta sempre terá que ser melhor ou mais ambiciosa que a anterior, aponta a especialista Natalie Unterstell. A meta de atingir a neutralidade climática até 2060 também soa mais superlativa do que a realidade: é apenas indicativa e não um compromisso efetivo, como o da China. A vinculação de maiores ambições ao recebimento de US$ 10 bilhões a partir de 2021, como sugeriu o ministro Ricardo Salles, também é alvo de críticas, reunidas em reportagem no Valor.

Facebook na berlinda

A Federal Trade Comission, órgão antitruste americano, e mais 40 estados entraram com um processo contra o Facebook, alegando que as aquisições do Instagram e do Whatsapp eliminaram a competição de forma injusta. A acusação quer que o Facebook venda os dois negócios e quer restringir novos movimentos de fusão e aquisição. Trata-se de uma das penalidades mais graves que o regulador pode exigir. 

Empresas listadas sem conselho? 

Um artigo um tanto quanto exótico no projeto de lei do marco legal das startups deixou o mercado de orelha em pé esta semana. Ele propunha uma mudança na Lei das SAs para eliminar a exigência de conselhos de administração em empresas de capital aberto com faturamento de até R$ 500 milhões. A decisão sobre a obrigatoriedade ficaria a cargo da CVM. Depois da grita de associações de investidores e analistas, o relator do texto voltou atrás e disse que vai retirar o artigo.

Tá com fôlego? Mais leituras

  • Novas presidências do Congresso vão redesenhar destino de projetos de infraestrutura e meio ambiente (Estadão)
  • Milton Friedman errou sobre as SA (Artigo do FT, traduzido pelo Valor)
  • B3 e S&P removem Carrefour de índice que mede a responsabilidade social e ambiental (Folha)
  • Executivos da Shell pedem demissão em meio a discórdia sobre empreitada verde (FT)
  • BlackRock vai pressionar empresas por mais diversidade racial em 2021 (Bloomberg)
  • Starbucks nomeia Mellody Hobson como presidente do conselho — a primeira mulher no papel (CNN)