Onda de calor na Europa seca rio Reno e afeta transporte de carvão 

Com baixo nível de rio, redução do transporte de combustível e de mercadorias amplifica a crise energética e a inflação

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A onda de calor que assola a Europa está secando o curso do rio Reno a ponto de ameaçar fechá-lo para o trânsito de navios. Ironicamente, a estiagem no canal já está diminuindo a quantidade de carvão transportado para as usinas termelétricas europeias, uma das principais fontes de emissões de gases de efeito-estufa do continente a contribuir para as mudanças climáticas.

Com menos oferta de gás russo, por causa da invasão na Ucrânia, os europeus estão mais dependentes da energia cara e suja das termelétricas. Sem as vias fluviais e com energia mais cara, a inflação, que já vem em alta, fica ainda mais pressionada.

Segundo comunicado da EnBW, empresa alemã de fornecimento de energia, as remessas de carvão estão restritas porque poucos navios passam por um nível tão baixo de água. E os poucos que o fazem transportam menos carga para evitar o encalhe.

“Os custos de envio do carvão estão, portanto, aumentando, o que, por sua vez, inflaciona os custos de operação das usinas de carvão como um todo”, diz o comunicado da EnBW.

 

Na região de Kaub, a 90 km de Frankfurt, maior centro financeiro da Europa, a profundidade do rio Reno está próxima de 47 centímetros. 

Segundo o Instituto Federal de Hidrologia da Alemanha, o nível médio do Reno na última semana foi de 70 centímetros, enquanto o nível médio normal para esta época deveria ser em torno de 2,5 metros.

O Reno nasce na Suíça, delineia parte da fronteira da França e atravessa a Alemanha, passando por zonas industriais, e desemboca no mar na Holanda, em Roterdã, o porto mais movimentado da Europa. 

Todos estes países dependem do rio para o fluxo de todo tipo de matéria prima, como combustíveis, produtos químicos e farmacêuticos. Até 30 milhões de toneladas de mercadorias passam pelo rio por ano. Os governos estão fazendo operações emergenciais de conversão de transporte para ferrovias para tentar impedir que a crise energética leve a região à recessão.

A última vez em que o transporte no rio Reno foi interrompido por causa da seca foi em 2018 — foram 132 dias em que a via ficou interditada. Os meses do verão são naturalmente mais secos por toda sua extensão, mas neste ano em especial a estiagem chegou mais cedo e está mais intensa.

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