Oatly faz IPO do leite vegano e pode estrear valendo US$ 10 bi

Repetindo boom das carnes plant-based, fabricante sueca de leite de aveia foi avaliada em US$ 2 bi numa rodada liderada pela Blackstone há menos de um ano

 

Depois do boom das carnes plant-based, chegou a hora testar o apetite dos investidores pelo leite vegano. 

A Oatly, uma companhia sueca que produz leite e derivados a partir de aveia, acaba de entrar com um pedido de IPO nos Estados Unidos e está buscando um valuation na casa dos US$ 10 bilhões, segundo fontes ouvidas pelo Financial Times

É um salto de cinco vezes os US$ 2 bilhões pelos quais foi avaliada há menos de um ano, em julho passado, quando a Blackstone liderou um aporte de US$ 200 milhões por uma fatia 10% da empresa. 

Na época, a gestora de private equity foi acompanhada por um time estrelado, que incluiu a apresentadora Oprah Winfrey, a atriz Natalie Portman e o rapper Jay-Z, além do ex-CEO da Starbucks Howard Schultz. 

A trajetória lembra a de empresas como a Beyond Meat, de carne vegana, que já se valorizou mais de 500% desde o IPO em maio de 2019. 

No crescente e cada vez mais competitivo mercado de alimentos plant-based, a Oatly dominou nos últimos anos o nicho das cafeterias, de Nova York a Xangai.  

Tal qual o leite de vaca, seu produto, feito a partir de aveia, forma aquela espuminha que faz toda a diferença em cima de um bom cappuccino, o que lhe garantiu um contrato de fornecimento com a Starbucks na China, por exemplo.

Agora, vai ter que mostrar que o aumento da procura por produtos mais saudáveis e com menos impacto ambiental vai muito além da espuma.

Segundo o Financial Times, a Oatly faturou US$ 200 milhões em 2019, o dobro do ano anterior, e a expectativa era repetir o crescimento no ano passado. (Os números de 2020 não estão públicos porque a empresa entrou com um pedido confidencial de IPO, uma modalidade pela qual as demonstrações financeiras só ficam disponíveis após o regulador aprovar a oferta.)

A presença global da companhia, que está na Europa, nos Estados Unidos e na China, é outro fator que vem atraindo os investidores.

“Há poucas empresas que têm esse nível de escala global e ainda estão tão no começo do ciclo de vida das suas marcas”, disse Ann Chung, executiva da Blackstone que liderou o investimento, em entrevista ao The Wall Street Journal. 

Além do leite vegano, que é seu carro-chefe, a companhia produz também iogurtes, sorvetes e bebidas prontas, todos a base de aveia. 

Fundada em 1990 pelos irmãos Rickard e Bjorn Oste, a Oatly usa uma tecnologia baseada em pesquisas feitas na Lund University, na Suécia, para transformar a aveia, rica em fibras, em bebida. Segundo a Oatly, seu processo de produção usa menos água do que o necessário para transformar amêndoas em leite — o carro-chefe do mercado de leites veganos. 

A companhia começou a se expandir para fora da Suécia em 2015, após um investimento por valor não revelado da Verlinvest, uma casa de investimentos de famílias que entendem de bebidas, fundadoras da cervejaria Interbrew, hoje Anheuser-Busch Inbev. 

No mercado americano há cerca de quatro anos, a Oatly se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais há duas semanas após veicular um anúncio propositalmente tosco no intervalo do Super Bowl, contrastando com as super produções da inserção comercial mais cara do planeta.  

Apesar do captable estrelado, quem brilha no comercial é o CEO Toni Anderseen cantando uma musiquinha chiclete num teclado em meio a um campo de aveia. (A empresa chegou a distribuir pela Internet camisetas com “I totally hated that Oatly commercial”, que esgotaram em menos de cinco minutos.)