O avião do futuro: Airbus apresenta designs para aeronaves movidas a hidrogênio

Fabricante europeia corre atrás da meta de ter avião comercial sem emissões de gases de efeito estufa até 2035

 

Como será a aviação num mundo livre de combustíveis fósseis? A pergunta pode parecer um exercício de futurismo, mas a resposta está cada vez mais próxima. 

A Airbus revelou hoje três conceitos para aeronaves movidas a hidrogênio, como parte do esforço para fabricar os primeiros aviões comerciais neutros em emissões de gases de efeito estufa até 2035. 

Duas das aeronaves seguem desenho semelhante ao dos aviões com motor a combustão, mas um dos projetos é mais revolucionário e mostra o que podem ser as aeronaves do futuro.

Trata-se de um modelo em forma de ‘V’, com asas integradas ao corpo do avião. De acordo com a companhia, a fuselagem ampla abre diversas opções para armazenagem e distribuição do hidrogênio, bem como para o layout da cabine. 

A Airbus planeja testar os conceitos nos próximos cinco anos, o que ajudará a amadurecer os projetos.

“Acredito fortemente que o uso de hidrogênio tem o potencial para reduzir significativamente o impacto climático dos aviões”, disse o CEO da Airbus Guillaume Faury, em nota. 

Já utilizado em pequena escala para transporte terrestre, o hidrogênio está se tornando uma área de foco crescente para transporte pesado e de longa distância e vem ganhando cada vez mais importância dentro da Airbus. 

A companhia está sob pressão dos governos alemão e francês, seus maiores acionistas, para acelerar o desenvolvimento de uma nova aeronave ‘limpa’ depois de socorrerem a fabricante durante a crise do coronavírus. 

A companhia já tinha anunciado que prevê para meados dos anos 2030 o primeiro jato para passageiros livre de emissões. Conseguir o feito nesse prazo é um desafio, especialmente por conta dos investimentos massivos em infraestrutura de aeroportos necessários. 

“A questão é até onde conseguimos ir com as baterias”, disse Glenn Llewelyn, vice-presidente de tecnologia de zero-emissões da Airbus, em nota. “Não acreditamos que essa seja uma tecnologia relevante hoje para a aviação comercial e vemos o hidrogênio como tendo mais potencial.” 

O hidrogênio líquido é produzido a partir da hidrólise da água, num processo é super intensivo em energia — que, para garantir que o hidrogênio seja limpo, precisa ser renovável. Água e vapor são seus únicos resíduos.

Esboço de futuro 

Além do conceito de formato em V, considerado o mais ousado e desafiador, os demais projetos apresentados hoje incluem um jato com motor turbofan capaz de transportar até 200 passageiros, similar ao A321, que pode voar mais de 2000 milhas náuticas. 

A ideia é que ele seja movido por um motor modificado que impulsionará as turbinas a gás, abastecido por hidrogênio. 

O hidrogênio líquido será armazenado e distribuído por meio de tanques localizados atrás da antepara traseira do avião — a parte que separa a cabine de passageiros da cauda, bem no finzinho da aeronave. 

Modelo turbofan, para até 200 passageiros e longas distâncias

A fabricante também mostrou um design para um turboélice com cerca de 100 assentos para distâncias menores.

Modelo turboélice, para 100 passageiros

Os conceitos representam diferentes abordagens para atingir voos com zero emissões de gases de efeito estufa, explorando vários caminhos tecnológicos e configurações aerodinâmicas para descarbonizar as viagens de avião. 

Mas, muito mais que o design, o sucesso de qualquer programa de avião comercial movido a hidrogênio líquido vai depender essencialmente da infraestrutura dos aeroportos e do apoio dos governos para financiar seu desenvolvimento, bem como incentivos para que as empresas aéreas ‘aposentem’ as aeronaves à combustão, reforçou a Airbus.

A companhia disse que já começou as discussões com aeroportos, empresas aéreas e de energia.