No IPO da Oatly, azedume do mercado passa longe da gôndola de plant-based

Na contramão do mercado, IPO do leite vegano da Nasdaq sai no topo do faixa e avalia companhia em US$ 10 bi; ação dispara mais de 20% no pregão de estreia

 

Enfrentando um mercado azedo para IPOs, a fabricante de leite de aveia Oatly foi na contramão e fixou ontem o preço de sua oferta de ações no topo da faixa indicativa, a US$17 por ação — mostrando que a falta de apetite dos investidores por novas histórias de crescimento passou longe do corredor de alimentos à base de planta nos supermercados.

A ação disparou mais de 20% no pregão de estreia.

O IPO da Oatly avaliou a companhia, fundada há 20 anos por dois irmãos na Suécia, em quase US$ 10 bilhões. É um salto de cinco vezes os US$ 2 bilhões pelos quais a companhia foi avaliada há menos de um ano, em julho passado, quando a Blackstone comprou 10% da empresa por US$ 200 milhões.

A trajetória lembra a da Beyond Meat, de carne à base de plantas, que já se valorizou mais de 300% desde o IPO de maio de 2019. 

Mas, no caso da Oatly, os múltiplos foram ainda mais generosos. 

Se mantiver a taxa de crescimento dos últimos anos e dobrar suas vendas este ano, passando dos US$ 421 milhões de 2020 para US$ 843 milhões, o valuation já está próximo do múltiplo de 11,5 vezes a receita pelo qual a Beyond Meat é negociada em Bolsa, de acordo com a Bloomberg. 

Quando estreou há dois anos, a fabricante de carne vegana foi avaliada em seis vezes sua receita estimada. 

Apesar do crescimento das vendas, o prejuízo da Oatly vem se ampliando. Em 2020, a companhia registrou perdas de US$ 60,4 milhões, contra US$ 35,6 milhões no ano anterior. 

No crescente e cada vez mais competitivo mercado de alimentos plant-based, a Oatly dominou nos últimos anos o nicho das cafeterias, de Nova York a Xangai. Tal qual o leite de vaca, seu produto forma aquela espuminha que faz toda diferença em cima de um bom cappuccino, o que lhe garantiu um contrato de fornecimento com a Starbucks da China, por exemplo. 

A presença global da companhia, que está na Europa, nos Estados Unidos e na China, é outro fator que chamou a atenção dos investidores. “Há poucas empresas que têm esse nível de escala global e ainda estão tão no começo do ciclo de vida das suas marcas”, disse Ann Chung, executiva da Blackstone que liderou o investimento em entrevista ao The Wall Street Journal. 

Além do leite vegano, a companhia produz também iogurtes, sorvetes e bebidas prontas, todos à base de aveia.

(Atualizado às 17h15 para incluir o desempenho das ações no pregão de estreia.)