Nas térmicas a carvão da Engie, investidores propõem transição energética

Em Jorge Lacerda, há planos para conversão da planta em gás natural; em Pampa Sul, proposta para usar carvão vegetal como combustível não foi adiante

 
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Dentro do seu plano global de sair de ativos de geração de energia poluentes, o grupo francês Engie retomou neste ano o processo de venda de duas térmicas a carvão no Brasil, a de Jorge Lacerda, em Santa Catarina, e a de Pampa Sul, no Rio Grande do Sul.

Investidores que negociam os dois ativos fizeram propostas de mudar a fonte de energia que abastece as térmicas, migrando para alternativas menos poluentes que o carvão — e até renováveis.

Na usina de Jorge Lacerda, que desde fevereiro é negociada em regime de exclusividade com a gestora Fram Capital, há uma proposta de fazer a transição de carvão mineral para gás natural, num primeiro momento, com a possibilidade de migração para carvão vegetal, apurou o Reset

A venda está em fase de final de negociação. Procurada, a Fram não quis se pronunciar. 

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No caso de Pampa Sul, cuja venda foi retomada mais recentemente, ao menos um dos grupos interessados tinha planos de substituir o carvão mineral pelo vegetal, o que envolveria o plantio de uma vasta área de floresta de eucaliptos para abastecer a usina. 

A proposta, no entanto, foi descartada pela Engie e não seguiu adiante no processo, segundo fontes que acompanham as negociações.

Embora a queima do carvão vegetal também lance CO2 na atmosfera, haveria uma captura de CO2 na fase de crescimento das árvores, além de ser uma fonte renovável de energia. 

Ativos diferentes

A troca da fonte mineral por vegetal no caso de Pampa Sul, que tem capacidade de gerar 345 MW por ano, seria uma alternativa mais viável, porque a usina — o último grande ativo de geração a carvão a entrar em operação no país — tem um fluxo de caixa assegurado por um contrato de fornecimento de energia para o mercado regulado até 2043. 

Ou seja, haveria caixa assegurado e tempo para implantar uma floresta, que levaria cerca de 10 anos para atingir o ponto de corte, permitindo fazer uma transição energética por volta de 2032. 

Já em Jorge Lacerda, que está localizada no município de Capivari de Baixo, no Sul de Santa Catarina, e tem capacidade e gerar 857 MW por ano, a equação é mais complexa, o que deve implicar em soluções distintas. 

A térmica é antiga e mais poluente e seus contratos de fornecimento expiram em 2028. Além disso, é  pouco eficiente e depende de um subsídio ao carvão extraído no Sul e que termina em 2027. 

A própria Engie tem um plano para descomissionar a usina e encerrar suas atividades em 2025, caso não consiga caminhar com a venda. Não há garantias de que o negócio com a Fram será fechado, embora já esteja bem avançado.

Uma novela que se arrasta

No ano passado, a Engie recebeu críticas de investidores que adotam parâmetros ESG por ter levado a mercado uma emissão de debêntures para refinanciar parte dos custos de construção da usina de Pampa Sul

Desde 2017, a empresa tenta vender os dois ativos de geração a carvão no Brasil e chegou a analisar propostas que não prosperaram. Os processos foram reativados no primeiro semestre, sob a coordenação do Morgan Stanley.  

As propostas de transição da fonte energética não devem escapar de polêmica no front social, por causa da dependência das comunidades locais da cadeia produtiva do carvão. 

A ideia é que as propostas incluam planos de mitigação desse impacto social, inclusive capacitando os trabalhadores para inseri-los nas novas cadeias.

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