Na transição energética, Vibra vai de geração distribuída, biometano e até hidrogênio verde

Companhia, antiga BR Distribuidora, detalhou os planos em evento para investidores

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Com quase metade de seu capital nas mãos de investidores estrangeiros e agora sem a Petrobras como acionista, a Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, quer cada vez mais se descolar da imagem de protagonista na distribuição de gasolina e diesel no país.

Na já declarada intenção de atuar na linha de frente da transição energética, a companhia agora comandada por Wilson Ferreira Júnior, um veterano do setor elétrico, vai aumentar suas fichas em áreas como comercialização de eletricidade e gás natural — considerado um combustível de transição — e em negócios que hoje se configuram como nichos, mas que têm tudo para deslanchar, como de biometano e hidrogênio verde.

Os planos foram detalhados hoje em evento para investidores. “Estamos saindo de uma distribuidora de combustíveis para ser uma empresa que fornece qualquer tipo de energia aos nossos clientes”, disse Ferreira Júnior.

Na última segunda a empresa já havia anunciado uma joint venture com a Copersucar para formar uma trading de etanol, numa aposta de que o combustível se tornará uma commodity nos próximos anos.

Comercialização de energia

Em novembro do ano passado a então BR Distribuidora comprou 70% das ações da Targus, que atua no mercado livre de eletricidade, e agora aposta em transformá-la em uma das cinco maiores comercializadoras de energia elétrica até 2025.

A ideia é reforçar tanto a customização de projetos de autogeração de energia limpa para clientes com alto consumo energético (e futuramente o atendimento para clientes menores), como a geração solar distribuída nos 8 mil postos da sua rede. 

“Cerca de 40% da energia consumida no mercado livre já é destinada para clientes da Vibra”, disse Marcelo Bragança, diretor executivo de operações e logística do grupo. Hoje a empresa tem 18 mil clientes corporativos e espera fechar o ano com 700 clientes na geração distribuída.

Gás natural

O gás natural é visto por Ferreira Júnior como um combustível da transição para fontes limpas e renováveis e, por isso, pretende reforçar a atuação na sua comercialização. 

O mercado prioritário será o off-grid, que atende clientes que não estão conectados às redes de distribuição elétrica e que hoje dependem do óleo combustível, especialmente na zona rural. Nesse front, serão feitos investimentos para a distribuição do gás natural liquefeito (GNL).

No mercado on-grid, para clientes conectados à rede, a Vibra vai atuar com contratos ‘offtake’, ou seja, garantindo a compra de grandes volumes para os produtores de gás.

Se os planos andarem como planejado, a empresa prevê que, em dez anos, entre 20% e 30% do Ebitda resulte de novos negócios, o que inclui gás natural, energia elétrica e carregamento de veículos elétricos.

Hidrogênio verde e biometano

Sem dar maiores detalhes, o CEO da empresa disse que a empresa já tem algumas iniciativas em hidrogênio verde no portfólio e que a ideia é fortalecê-las, como apostas de longo prazo. Na sua visão, por conta da abundância de fontes de energia renováveis, o país deve ser uma das principais plataformas de crescimento do hidrogênio verde no mundo. 

Em outra frente ligada a uma fonte renovável que hoje ainda é nicho, a do biometano, a Vibra anunciou ontem uma parceria com a ZEG Biogás, que pertence ao grupo de comercialização de energia Capitale.

A ideia, diz Ferreira Júnior, é fortalecer o biometano, que pode ser usado como uma alternativa ao GLP e ao diesel.

O biometano é um gás derivado do processo de refinamento do biogás, que é produzido a partir de resíduos da agricultura e de aterros sanitários e tem efeitos bem menos poluentes do que os resultantes da combustão de derivados do petróleo. 

O papel da ZEG será levar uma tecnologia de biodigestores para a transformação da vinhaça (resíduo da destilação da cana-de-açúcar em etanol) em biometano em usinas que fornecem etanol para a Vibra, a maior compradora do biocombustível no país. São mais de 300 usinas de 60 grupos sucroalcooleiros.

Se todo o biometano for aproveitado das usinas, a previsão é que 10 milhões de toneladas de gases do efeito estufa deixem de ser emitidos por ano.

“Queremos descarbonizar a etapa de produção do açúcar e do etanol e ser uma solução aos produtores na geração da vinhaça e na recuperação do solo para plantação de cana”, disse Marcelo Bragança.

(Com edição de Vanessa Adachi)

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