Na BSBios, certificação de fornecedor vira juro menor

Crédito de R$ 40 milhões com Santander terá taxa mais baixa se forem cumpridas metas de controle da cadeia de fornecimento

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O Santander fechou um empréstimo de R$ 40 milhões para a BSBios em que a produtora de biodiesel se comprometeu a certificar parte de sua cadeia de fornecedores segundo critérios de sustentabilidade. Caso a meta seja cumprida, os juros caem.

O objetivo é aumentar em 47% o volume de gordura animal usada como matéria-prima proveniente de empresas certificadas e incrementar a geração de  Créditos de Descarbonização (CBIOs) – uma espécie de crédito de carbono setorial previsto pelo programa RenovaBio, do governo brasileiro, em que as compradoras são principalmente as distribuidoras de combustíveis.

Daqui a um ano, em dezembro de 2023, a empresa deve reportar seus resultados ao banco. Se metas estruturadas pelo sustainability linked loan forem sido atingidas, a taxa do empréstimo, que o banco não revela, é reduzida até seu vencimento, em dezembro de 2024. 

Trata-se da segunda tranche de um crédito total de R$ 100 milhões concedido pelo Santander à BSBios com metas de sustentabilidade. Em julho, o banco tinha liberado R$ 60 milhões num empréstimo de um ano, mediante o compromisso de ampliar a coleta de volume de óleo de cozinha comprado de uma cooperativa de reciclagem. 

A verificação se dará no próximo mês de fevereiro.

 

Diferentemente dos green bonds, em que os recursos do empréstimo precisam ser utilizados diretamente em projetos sustentáveis, na modalidade usada pelo Santander, conhecida como sustainability linked loan, o dinheiro pode ser utilizado para qualquer fim, mas o custo do empréstimo varia a depender de metas atreladas a fatores ambientais, sociais e de governança (ESG). 

Transparência na cadeia produtiva

Maior produtora de biodiesel do Brasil, a BSBios criou o programa 2SC para dar tração ao movimento de adquirir matérias-primas consideradas sustentáveis, que cumpram requisitos estabelecidos por diferentes certificadores.

“Através da certificação, conseguimos deixar mais claro como aquela matéria-prima é produzida, de onde vem, como o fornecedor a trata e como ele se preocupa com os aspectos ambientais e sociais”, diz o presidente da BSBios, Erasmo Carlos Battistella. 

A demanda primária dos produtos da BSBios é nacional, mas a empresa vem trabalhando “muito fortemente” para aumentar o volume de exportação de biodiesel, diz Battistella. 

Por meio do programa, a empresa dará assistência técnica e capacitação aos fornecedores, que recebem benefícios financeiros de acordo com o avanço no cumprimento de critérios de certificações sustentáveis nacionais e internacionais. 

Entre elas, estão a certificação dos dados primários dos produtores rurais no RenovaBio, o programa nacional de biocombustíveis, e em programas internacionais, como o International Sustainability and Carbon Certification (ISCC) e o Biomass Biofuel Sustainability Voluntary Scheme (2BSvs).

“Queremos muito mandar [biodiesel] para a América do Norte e aumentar o fornecimento para a Europa”, diz Batistella. 

O foco agora está na gordura animal, usada em quase 40% da produção de biodiesel pela BSBios, mas o intuito é que fornecedores de óleos vegetais – em especial soja – e de óleo reciclado também entrem na conta. Eles representam cerca de 60% e 1%, respectivamente, da produção. 

Segundo o CEO, o objetivo é que até 2030 todos os fornecedores de matéria-prima da BSBios sejam certificados. 

A iniciativa se encaixa no escopo 3 de emissões de carbono da companhia, que envolve toda a cadeia de produção. A BSBios ainda não assumiu um compromisso nessa linha, mas promete ser net zero nos escopos 1 e 2 — de emissões diretas de suas atividades e consumo de energia elétrica — até o fim da década. 

Empréstimos ESG

Há cada vez mais interesse por parte dos clientes de fazer captação com algum componente de sustentabilidade, diz o head de finanças verdes do Santander Brasil, Alex Sciacio.

No caso da BSBios, foi visto com “muito bons olhos” o comprometimento da empresa em atuar em sua cadeia de fornecimento, engajando empreendedores individuais e até pequenos fornecedores. 

“Esse é um dos grandes desafios que vemos aqui, até como banco”, afirma Sciacio. 

Um dos frutos da operação deve ser o maior volume de CBIOs emitidos pela BSBios. Dentro do programa RenovaBio, do governo federal, podem emitir mais créditos de descarbonização as empresas que são mais eficientes no seu processo de produção de biocombustíveis. 

Um desses fatores é o controle da cadeia de fornecedores: quem consegue plugar os dados efetivos dos fornecedores de matéria-prima no sistema em vez de usar dados-padrão para o país na hora de calcular a nota de eficiência já pode gerar mais CBIOs. 

O Santander tem forte presença no mercado de CBIOs e já participa de 60% das operações na B3 com CBIOs.

(Com edição de Natalia Viri)

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