Menos de 1% dos fundos de investimento estão alinhados ao Acordo de Paris

Levantamento do CDP considerou um terço da indústria global de fundos o equivalente a US$ 27 trilhões em ativos

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Se depender da montanha de dinheiro que está aplicada em fundos de investimento no mundo todo, vamos todos morrer queimados.

Um levantamento publicado hoje mostra que, dos US$ 27 trilhões investidos em mais de 16,5 mil fundos no mundo todo, menos de 0,5% dos ativos (158 fundos) estão alinhados com a meta de manter o aumento da temperatura global ‘bem abaixo’ dos 2°C, prevista no acordo de Paris.

Na ponta extrema, mais de 8 mil dos fundos mapeados, ou 62% dos ativos, estão na rota para um aquecimento superior a 2,75°C. 

O estudo, que considerou aproximadamente um terço da indústria de fundos de investimento global, foi feito pelo Carbon Disclosure (CDP), uma respeitada organização sem fins lucrativos que criou um padrão considerado ouro para empresas e investidores reportarem dados ambientais.

 

Apenas 102 fundos da mostra se encaixam na meta mais ambiciosa do Acordo de Paris, que fala em manter o aquecimento preferencialmente dentro do limite de 1,5°C.

Os números revelam a importância de acelerar o alinhamento entre os portfólios de investimento e a transição para uma economia de baixo carbono e são ainda mais preocupantes quando se considera que a conta só contempla as emissões diretas (escopos 1 e 2) dos ativos investidos.

Se forem incluídas as emissões do escopo 3, que incluem os fornecedores e clientes das empresas, a fatia de fundos alinhados ao acordo de Paris cai de 0,5% para apenas 0,2%, ou apenas 65 fundos.

Segundo o CDP, essa queda é condizente com o estágio atual de medição e transparência das emissões das companhias com relação às suas cadeias de valor. Apenas 15% das empresas que aderem ao CDP têm alguma meta para essas emissões de escopo 3.

“É como um raio-x na indústria, expondo quase todos os ativos do planeta em descompasso com os objetivos climáticos. É um teste de realidade para ações reais e críveis da comunidade financeira para intensificar o envolvimento com seus portfólios e tomar medidas decisivas para fazer a transição de seus portfólios rumo a 1,5 °C”, disse Laurent Babikian, diretor global de mercado de capitais do CDP, em comunicado.

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