Maiores bancos do mundo se unem em aliança por ‘net zero’. Brasileiros ficam de fora

 

Um grupo de 43 bancos, incluindo Morgan Stanley, Santander, Deutsche Bank e HSBC, acaba de aderir à Net-Zero Banking Alliance (NZBA), comprometendo-se a alinhar seus portfólios para atingir a neutralidade em emissões de gases-estufa até 2050.

Enquanto algumas instituições da América Latina marcam presença na iniciativa, o destaque negativo fica por conta da ausência de bancos brasileiros. 

A iniciativa, encabeçada pela ONU, está sendo lançada na véspera do início da Cúpula do Clima, organizada pelo presidente americano Joe Biden para discutir medidas de combate às mudanças climáticas. 

As instituições locais foram convidadas e têm até a COP 26, prevista para o fim do ano, para aderir.

“Os grandes bancos brasileiros vêm trabalhando na agenda de risco climáticos com consistência, então agora espera-se que possam dar o próximo passo, alinhando seus portfólios ao Acordo de Paris e comprometendo-se com o net zero em 2050”, , afirma Maria Eugênia Taborda, coordenadora da UNEP-FI, braço financeiro da ONU, para a América Latina.

“Sem dúvida é desafiador, mas é importante vermos o setor financeiro liderando esta agenda e mobilizando recursos financeiros para uma economia de baixo carbono.”

O compromisso estabelece que os bancos têm 18 meses para definir e divulgar publicamente metas intermediárias, para no máximo 2030, e de longo prazo, para no máximo 2050, que estejam adequadas ao cumprimento dos objetivos do Acordo de Paris.

Para as metas iniciais, os bancos devem se concentrar em setores mais intensivos em carbono, tendo que apresentar uma nova rodada de objetivos para estes setores em até 36 meses.

Os bancos também se comprometem a ter uma postura “robusta” em relação a uso de compensações e créditos de carbono, focando na redução real das emissões. A ideia é que eles tenham papel complementar e de transição, restrito em setores em que existem limitações tecnológicas ou financeiras.

O compromisso também demanda que os bancos se envolvam ativamente na descarbonização de seus clientes, promovendo a transição na economia real e não apenas no setor financeiro. 

Na costumeira sopa de letrinhas do mundo ESG e do clima, a NZBA não é a primeira nem a única iniciativa focada em compromissos de descarbonização de instituições financeiras.

Ainda na quarta-feira, alguns desses grupos se juntaram para criar a Glasgow Financial Alliance for Net Zero (GFANZ), que atuará como uma organização-mãe para as coalizões net zero do setor. 

Isso inclui a Net Zero Asset Managers, fundada no final do ano passado e que já conta com 73 das maiores gestoras globais, incluindo BlackRock e Vanguart.

Nesse grupo, a escassez de brasileiros se repete. Apenas a Fama Investimentos (que foi um dos membros fundadores) e a JGP são integrantes.

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