Maior fundo de infraestrutura listado em bolsa, Apollo Energia recebe selo verde

 

Maior fundo de infraestrutura listado em bolsa, com R$ 1,7 bilhão, o Apollo Energia acaba de assegurar um selo verde num parecer assinado pela Sitawi, ampliando as classes de ativos considerados sustentáveis por avaliação independente. 

Gerido pela Perfin Investimentos, o Apollo — negociado sob o ticker PFIN11 — investe em linhas de transmissão de energia. São oito ativos no portfólio, dos quais seis são operacionais e dois devem entrar em operação neste ano. 

“A certificação é um modo de traduzir nossas intenções”, diz Carolina Rocha, sócia responsável pela área de operações da Perfin. 

Com o fundo voltado para pessoas físicas — que tem benefício fiscal por se tratar de um produto de infraestrutura — o movimento foi mais pró-ativo do que uma resposta à demanda dos investidores. “Ainda não sentimos essa demanda [por sustentabilidade] por parte da pessoa física, mas o futuro pende para esse caminho”, diz. 

A certificação do Apollo parte da tese central de que as linhas ampliam a capacidade de escoamento de energia renovável e dão robustez ao Sistema Interligado Nacional (SIN), num momento de crescimento de fontes intermitentes e de geração mais pulverizada (ou distribuída), como a eólica e a solar. 

A maior parte dos ativos — operados em parceria com a Alupar — favorece o escoamento de energia de eólica do Nordeste ou reforça a interligação da região com o Sudeste, principal centro consumidor.

Como o sistema elétrico brasileiro é interligado, não é possível garantir que linhas de transmissão específicas transmitem exclusivamente energia de fontes renováveis. 

Mas a política ESG do fundo dá uma garantia relevante: veta investimentos em linhas de transmissão diretamente ligadas a termelétricas movidas a combustíveis fósseis ou a usinas que possuam controvérsias socioambientais críticas. No documento, são citadas nominalmente as usinas de Santo Antônio, Jirau, Belo Monte, Sinop, Balbina, Cachoeira Caldeirão e o complexo nuclear de Angra dos Reis. 

Além disso, o parecer traz uma métrica do número de “usuários verdes” da linha, definidos como usinas solares, eólicas ou térmicas a biomassa — um número que pode ser verificado a posteriori, no mês seguinte ao uso. Em 2019, o percentual de usuários “verdes” era de 68,1% e passou para 69,1% no ano passado. 

Outro ponto crítico para as linhas de transmissão são problemas ligados à construção de grandes obras de infraestrutura. A Sitawi fez a avaliação dos processos de due diligence do fundo e, na análise de cada um dos empreendimentos, não encontrou controvérsias relevantes. A certificação será reavaliada anualmente.

Além do Apollo

Com cerca de R$ 17 bilhões sob gestão, dos quais quase R$ 5 bilhões na asset e R$ 13 bilhões na área de gestão de patrimônio, a Perfin está concluindo a captação de um outro fundo, o Mercury, voltado para energia e saneamento. No primeiro fechamento, o fundo levantou R$ 500 milhões, mas pode chegar a R$ 1 bilhão.

Esse novo veículo acaba de fechar um investimento na área de eficiência energética, com um aporte na Nexway, da Comerc Energia, que fornece soluções para grandes consumidores. 

“Muito precisa ser feito na matriz energética, mas nada é mais sustentável que olhar para dentro e cortar desperdício”, diz Rocha. 

Além disso, estão previstos investimentos em projetos solares e eólicos, construídos do zero.  Um deles é um novo parque solar em parceria com a espanhola Solatio, em Minas Gerais, para atender a indústria de silício via contratos no mercado livre, que deve demandar R$ 1,6 bilhão em investimentos.

Por enquanto, não há planos de certificação verde — que pode acontecer quando a carteira de projetos estiver mais robusta.

Na área de fundos de ações o trabalho ESG é mais complexo, aponta Rocha. 

“Estamos conversando muito e há muito tempo, mas a análise é muito mais densa. O que estamos convictos é que faz mais sentido ir pelo engajamento [com as empresas] do que pela exclusão [de ativos da carteira]”, diz. “Com a nossa expertise em soluções energéticas limpas e eficientes, queremos provocar e ajudar as empresas do portfólio a pensarem mais sobre isso”.

(Crédito da foto: Matthew Henry/Unsplash)