Itaú promete R$ 400 bi para crédito sustentável até 2025

Meta inclui empréstimos e emissões no mercado de capitais nos setores de energia renovável, saúde e educação, agro, papel e celulose e infraestrutura

 
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E está aberta a temporada de metas de crédito sustentável nos bancos brasileiros. 

Depois de o Bradesco se comprometer com R$ 250 bilhões até 2025 e o BV prometer R$ 80 bilhões até 2030, o Itaú anuncia hoje o compromisso de destinar R$ 400 bilhões até 2025 para setores considerados de impacto positivo para o desenvolvimento sustentável.

Com isso, o banco sobe a própria barra em relação aos R$ 100 bilhões que havia anunciado em 2019 para o mesmo prazo.

A nova meta inclui não apenas créditos concedidos pelo banco, mas também estruturação de operações de dívida no mercado de capitais com selo ESG, na proporção de 60% e 40%, aproximadamente.

Embora os negócios do banco de atacado sejam predominantes, alguns produtos de varejo também entrarão na conta, como financiamento para instalação de placas solares, crédito para compra de carros híbridos elétricos e microcrédito.

Para compor o que considera desenvolvimento sustentável, o banco elegeu seis setores:

  1. geração de energia renovável, o que inclui solar, eólica e pequenas centrais hidrelétricas;
  2. serviços de energia, que barateiem o acesso a energia;
  3. saúde e educação, com foco na melhoria da qualidade de vida, qualificação profissional e empregabilidade;
  4. papel e celulose, desde que com manejo sustentável de florestas;
  5. agronegócio, com foco em açúcar e etanol, cooperativas e produtores rurais (o que inclui pecuaristas, mas deixa frigoríficos de fora); e
  6. infraestrutura, focada em transporte ferroviário e saneamento básico.

Para definir o que é ou não um crédito sustentável, o banco fez um mix de taxonomias disponíveis, pinçando elementos da classificação recém-reformada pela Febraban, e também das taxonomias da  União Europeia e da Climate Bonds Initiative.

“A Febraban tem muitos critérios sociais e que falam com a economia brasileira, enquanto as internacionais são mais voltadas para a esfera ambiental”, diz Leila Melo, diretora-executiva responsável pelo jurídico e por relações corporativas.

Assim como nos demais bancos, há uma dose de subjetividade envolvida na decisão de quais operações são consideradas para compor a meta. Segundo Melo, as operações não entrarão na conta da meta por ‘default’, simplesmente por estarem dentro dos setores elegíveis. 

“Haverá uma análise individualizada. Um comitê fará uma análise específica para cada operação dos setores que estamos incluindo, para ver se entra na conta dos R$ 400 bilhões ou não”, diz a executiva.

No setor de educação, por exemplo, critérios de inclusão social serão levados em conta, segundo ela. “Não dá para considerar [como crédito para desenvolvimento sustentável], uma operação para ampliação do prédio de uma universidade privada que não atenda a critérios ESG”, diz ela.

Pelas contas do Itaú, considerando apenas o crédito concedido com recursos do balanço do banco, as operações classificadas como sustentáveis hoje já representam cerca de 35% da carteira do atacado, de R$ 279 bilhões, ou quase R$ 100 bilhões — e a expectativa é que esse volume cresça nos próximos anos.

O desempenho dos clientes em ESG também começa a fazer preço. “Hoje os critérios entram na precificação do crédito. Podem reduzir a taxa”, diz Melo.

Net zero e exclusão

O Itaú também começou a trabalhar para assumir um compromisso de descarbonização da sua carteira de crédito, diz Luciana Nicola, superintendente de sustentabilidade do banco. 

Atualmente, o banco está mapeando as emissões de gases de efeito estufa dos setores mais carbono intensivos de sua carteira de crédito para, então, definir uma estratégia para assumir um compromisso net zero para o portfólio de crédito.

“Queremos entender qual a distância dessas emissões para termos um alinhamento [do portfólio] com o Acordo de Paris. E vamos trabalhar com os clientes não só para ter reportes das emissões deles, mas para saber quais são os planos de adequação”, diz Nicola.

A ideia é oferecer suporte aos clientes nessa frente e “não virar as costas” para as empresas que demonstrarem evolução, dizem as executivas. “O banco vai pressionar, mas também vai ajudar os clientes na transição. Tem um valor grande de estarmos presentes nesse processo”, diz Nicola.

Se o foco é financiar a transição, alguns setores estão na lista de restrição e perdendo espaço na carteira de crédito conforme o banco restringe renovações e novas contratações, como é o caso de carvão e fumo. 

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