Itaú engorda prateleira ESG com alocação internacional e fundos voltados para água e energia

Tíquete mínimo é de R$ 1, mas produtos ainda são restritos a investidores qualificados

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Três meses após lançar seu primeiro fundo de ações com rotulagem ESG, o Itaú está deixando a prateleira de investimentos sustentáveis mais sortida, com o lançamento de três produtos que agregam duas tendências de mercado: exposição internacional e investimentos temáticos. 

O banco começa a oferecer hoje a Carteira Itaú Internacional ESG, um multimercado que dá exposição ao exterior, mas com uma camada de filtros ambientais, sociais e de governança, conforme anunciado em primeira mão ao Reset

Além disso, o banco passa a ofertar dois produtos temáticos: um que reúne 30 empresas globais de energia limpa e outro que reúne 50 empresas com soluções para o uso mais racional da água e acesso a saneamento. 

Ambos são baseados em UCITS, a versão europeia dos ETFs, fundos de índices de ações. 

 

“Quando a gente pensa na maturidade que o tema investimento responsável tem ganhado no nosso mercado, é um desenvolvimento natural trazer soluções que proporcionem diversificação do investimento ao mesmo em que esteja alinhado ao propósito de cada investidor”, diz Renato Eid, chefe de estratégia beta e integração ESG da Itaú Asset. 

Todos têm tíquete mínimo de investimento de apenas R$ 1. Mas, por uma questão regulatória, por conta da exposição internacional, só podem ser acessados por investidores qualificados, aqueles que têm mais de R$ 1 milhão investido. 

Passaporte para o exterior (com visto verde)

A Carteira Itaú Internacional ESG faz parte de uma família de produtos do banco lançada no começo do ano e que empacota num único ativo as carteiras recomendadas pela equipe de estratégia do banco. 

Em vez de comprar cada ativo separadamente, o cliente investe na carteira completa. As mudanças na recomendação de alocação se refletem automaticamente no produto.  

“De forma bem simples, é um produto que dá resposta para aquela pergunta do almoço de domingo: onde eu coloco meu dinheiro? Agora eu compro bolsa no Brasil? Compro bolsa na Europa?”, resume Eid.  

A Carteira Itaú Internacional tradicional — sem filtros sociais, ambientais e de governança — tem exposição a ativos de bolsa e dívida em mercados emergentes e desenvolvidos, além de ouro e câmbio. A alocação é feita por meio de ETFs, fundos de índice passivos negociados fora do país.

Na versão ESG da carteira, o filtro de investimento sustentável se soma ao acesso à exposição global.

Na prática, a equipe do banco escolhe, para cada classe de ativos, ETFs que levam em consideração scores ambientais, sociais e de governança, baseados na metodologia do MSCI.

“Dando um exemplo: saiu a vacina, estamos mais positivos com bolsa americana. A gente vai fazer uma sobrealocação em bolsa americana nos dois produtos, o tradicional e o ESG”, diz Victor Vietti, superintendente de recomendações e analytics do Itaú Unibanco. A diferença está nos fundos de índices escolhidos para fazer essa alocação.

Apesar de as movimentações táticas entre ativos serem as mesmas, a carteira internacional e a internacional ESG tendem a ser bastante descorrelacionadas, diz Eid. A pegada de carbono na versão ESG, por exemplo, é 50% menor em relação ao investimento tradicional. A taxa de administração do produto é de 1,05% ao ano e o resgate é processado em cinco dias, com cotização em D+1.

Com tíquete de entrada baixo, a família Carteira já tem R$ 15 bilhões de patrimônio, com mais de 170 mil cotistas. A maior parte, no entanto, está concentrada na Carteira Itaú local, que é voltada para público em geral e não apenas investidores qualificados.

Sede de quê?

Os outros dois produtos disponíveis são fundos de ações no que se convenciona chamar de investimentos temáticos, aqueles que expressam na tese de investimento uma megatendência de mercado. 

O Itaú ESG H2O Ações dá acesso a um tema em que há relativamente poucas opções de investimento na bolsa brasileira: replica o ETF IH2O, que reúne 50 empresas voltadas ao negócio de água. 

Entram no índice empresas de serviços de água e infraestrutura e equipamentos e materiais voltados para o saneamento. A ideia é que elas contribuam para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, da ONU, que garante a disponibilidade e gestão sustentável de água e saneamento para todos. 

“O mundo cada vez mais usa água e, se continuarmos usando essa água doce como estamos usando agora, vários estudos mostram que vamos ter um déficit enorme, e além disso já temos bilhões de habitantes sem acesso a água e saneamento”, diz Eid. “É de se esperar que empresas que estejam bem posicionadas e com uma relação positiva com o tema água se beneficiem de todo esse contexto.”

As maiores posições no fundo de índice são as americanas Xylem e American Water Works, além da francesa Veolia. 

O outro produto é o ‘Itaú ESG Energia Limpa Ações’, que replica o ETF INGR, com uma seleção de 30 empresas globais de energia limpa. 

As principais posições do fundo são a americana Plug Power, que desenvolve células de combustível movidas a hidrogênio, Meridian Energy, a maior empresa de energia renovável da Nova Zelândia, e a Enphase Energy, que oferece soluções de energia solar para residências nos Estados Unidos. O portfólio atual do índice inclui uma pitadinha de empresas brasileiras, com participação de Cemig e Copel. 

Em ambos os produtos, a taxa de administração é de 0,8% ao ano, com resgate em D+5 e cotização em D+1.

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