Investidor ativista quer que o McDonald’s trate melhor os porcos

Carl Icahn acusa a maior rede de fast food do mundo de crueldade com porcas gestantes

Compartilhar

Carl Icahn, um dos investidores ativistas mais implacáveis e temidos dos Estados Unidos, escolheu um novo alvo: o McDonald’s.

O bilionário de 86 anos indicou dois nomes para o conselho de administração da gigante do fast food com o objetivo de forçar os fornecedores da empresa a dar melhor tratamento aos porcos.

Icahn detém uma participação quase insignificante no McDonald’s e, diferentemente de outras batalhas que ele travou no passado, a empresa vai bem financeiramente. As ações da companhia subiram mais de 18% nos últimos 12 meses.

Desta vez, segundo uma reportagem do Wall Street Journal, trata-se de uma questão pessoal para Icahn. Por intermédio de sua filha, ele soube detalhes das condições em que são mantidas as porcas prenhas.

 

Estima-se que entre 60% e 70% delas passem a gestação toda em jaulas apertadas, nas quais ficam essencialmente imóveis.

O objetivo da prática, segundo a entidade The Humane League, é usar os animais como “máquinas reprodutoras”. A filha de Icahn, vegetariana, trabalhou na ONG.

“Para dar conta da demanda pela carne, as porcas são forçadas a produzir leitões continuamente. [Elas] estão entre os animais mais abusados do planeta”, afirma a entidade.

Icahn já havia pressionado o McDonald’s há dez anos para que a rede deixasse de comprar de fornecedores que adotam essa prática.

Na ocasião, a empresa se comprometeu a, até este ano, oferecer somente carne livre desse tipo de crueldade. Segundo Icahn e a Humane Society, a promessa não foi cumprida.

O McDonald ‘s afirma que 60% da sua carne de porco não está associada a essa prática e que até o fim do ano o percentual deve chegar a 90%.

“Embora a empresa esteja determinada a promover a colaboração na indústria a respeito dessa questão, a atual oferta de carne de porco nos Estados Unidos torna impossível um compromisso desse tipo”, afirmou a companhia em nota.

Icahn acusa os produtores de suínos de dar um “jeitinho”.

Em vez de manter os animais enjaulados durante toda a gestação, eles os removem do confinamento entre quatro e seis semanas após a confirmação da gravidez, que dura quatro meses.

Uma briga diferente

“Animais são uma das poucas coisas que me emocionam”, disse Icahn ao The Wall Street Journal. Ele afirmou ter carinho especial pelos porcos, por causa da inteligência da espécie.

Ao que tudo indica, a briga não significa que o investidor bilionário seja o mais novo convertido às causas sustentáveis. Mesmo dentro do universo do sofrimento animal, Icahn não demonstrou até agora ter o mesmo tipo de preocupação com galinhas ou bovinos, que também têm sua carne servida na rede de lanchonetes.

Seja qual for sua motivação real, entretanto, seu nome traz medo aos altos escalões de qualquer empresa.

A campanha para adquirir o controle da extinta Trans World Airlines (TWA), em 1985, lhe rendeu a fama de “pirata corporativo”. O personagem Gordon Gekko, interpretado por Michael Douglas no filme “Wall Street” e famoso pela frase “ganância faz bem”, seria em parte inspirado em Icahn. Estima-se que ele tenha uma fortuna de US$ 17 bilhões.

Em nota oficial divulgada ontem, e num sinal de que a guerra de opinião pública já começou, o McDonald ‘s aponta uma suposta incoerência no posicionamento do investidor bilionário.

“O sr. Icahn tem a maioria das ações da Viskase, empresa que produz e fornece embalagens para as indústrias de carne de porco e frango. Isso lhe dá uma exposição única aos desafios e oportunidades do fim das jaulas de gestação. Portanto, é digno de nota que o sr. Icahn não tenha se manifestado publicamente para que a Viskase assuma compromissos semelhantes ao que o McDonald ‘s anunciou em 2012.”

Leia mais

A melhor cobertura de negócios e finanças sustentáveis

Contribua com o Reset e ajude a construir a mudança.