Iguá emite R$ 620 mi em debêntures sustentáveis e inaugura operações rotuladas para saneamento

 

A Iguá Saneamento acaba de fechar a emissão de R$ 620 milhões em debêntures de infraestrutura com selo ‘sustentável’, que incluem tanto benefícios ambientais quanto sociais no uso dos recursos. 

Trata-se da primeira emissão de porte no Brasil com esse selo e praticamente estreia o mercado de títulos rotulados para saneamento — até hoje, o setor não tinha emitido sequer green bonds no país.

Em 2019, a Attend Ambiental fez uma emissão de títulos verdes de R$ 55 milhões para financiar projetos de tratamento de resíduos industriais, mas essa é a primeira voltada para esgoto e água. 

Com prazo de 14 anos, a emissão saiu com taxa de IPCA + 6,10% ao ano e teve demanda de cerca de 3 vezes o book, segundo fontes a par da operação. 

Itaú BBA, Santander, BV e XP foram os coordenadores da operação e o parecer de segunda opinião veio da Sitawi.

Os recursos serão utilizados para expansão da rede de água e esgoto em Cuiabá, com redução de poluição e de perdas de água e impactos positivos sobre a saúde da população. 

A Iguá vai monitorar e relatar indicadores de benefícios socioambientais relativos ao projeto, como volume de água tratado antes e depois do projeto e a redução no nível de perdas.

Quarta maior operadora privada de serviços de água e esgoto, a Iguá atende 6,6 milhões de pessoas com 18 concessões nos Estados de Alagoas, Mato Grosso, São Paulo, Pará e Santa Catarina. A concessão de Cuiabá é a maior da companhia e representa mais de metade das receitas. 

Antiga CAB Ambiental, a Iguá é controlada pela gestora IG4 Capital e os canadenses do Alberta Investment Management Corporation (AIMCo). O BNDESPar tem 11% do capital. A companhia ensaiou um IPO no ano passado, e pretende retornar ao mercado ainda neste ano.  

O primeiro título sustentável

Em fevereiro, a geradora de energia solar distribuída Faro Energy emitiu o primeiro título sustentável do mercado brasileiro, de R$ 15 milhões, coordenado pelo BTG.  

Do total da captação, R$ 14,9 milhões foram usados para quitar dívidas atreladas a um projeto solar em Minas Gerais e outros R$ 100 mil foram destinados para aulas de desenvolvimento de habilidades socioemocionais para 600 alunos em uma escola na área do projeto. 

Mas, nesse caso, se o viés verde dos recursos está pacificado, há quem diga que os emissores esticaram um pouco a corda para adicionar também benefícios sociais. 

Além de a fatia social ser pequena em relação ao tamanho da captação, o impacto vem da doação e não do core business do projeto.