Guilherme Leal entra na re.green e reforça constelação de investidores

Empresário aposta em reflorestamento de matas nativas ao lado dos Moreira Salles, Arminio Fraga, Lanx e Dynamo 

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Criada este ano com a meta ambiciosa de reflorestar 1 milhão de hectares de florestas nativas na Amazônia e na Mata Atlântica e gerar créditos de carbono com isso, a re.green já nasceu com um time estrelado de investidores. 

A Lanx Capital, de Marcelo Medeiros e Marcelo Barbará, o BW, family office dos Moreira Salles, a Gávea Investimentos, de Arminio Fraga, e a Dynamo fizeram um cheque inicial de R$ 390 milhões para tirar o projeto do papel.

Agora, a empresa vai ganhar um novo investidor de peso, com a chegada de Guilherme Leal, um dos controladores da Natura.

O valor do aporte não é revelado.

“Tão ou mais importante que os recursos é o fato de que ele é uma referência na área empresarial e ambiental e reforça o que a re.green quer ser: uma empresa que produz impacto em escala”, diz Bernardo Strassburg, co-CEO da re.green e idealizador do negócio.

Assim como os investidores iniciais, no caso de Leal os recursos também não sairão do bolso da filantropia. Será dinheiro de portfólio de investimentos, que busca retorno financeiro. A decisão de ingressar na re.green veio depois da avaliação de outras iniciativas na área de restauração de florestas.

Leal terá um assento no conselho de administração.

Com a chegada do empresário ao grupo de investidores, também passa a fazer parte da re.green Roberto Waack, cofundador da empresa de manejo florestal sustentável Amata, conselheiro de empresas e presidente do conselho do Instituto Arapyaú, o braço de filantropia de Leal.

Waack será uma espécie de senior advisor. “O Roberto tem enorme conhecimento na área florestal e madeireira, inclusive com experiência na promissora área de concessões de florestas públicas, na qual a re.green quer entrar, porque a Amata ganhou a primeira concessão do país, na Amazônia.”

No caixa

Por ora, diz Strassburg, a re.green não tem necessidade de recursos adicionais. Boa parte do que foi levantado permanece no caixa, que agora recebe um reforço “importante”, segundo ele.

“Mas a restauração é uma atividade muito intensiva em capital e, se formos bem sucedidos no ano que vem, vamos precisar atrair novos recursos. Não necessariamente equity.”

Por bem sucedido entenda-se cumprir a meta de fazer o reflorestamento de pelo menos 10 mil hectares em 2023 – metade na Amazônia e metade na Mata Atlântica. No cenário otimista a empresa poderia chegar a 20 mil hectares no ano. 

Para isso, já estão engatilhadas as parcerias e aquisições de áreas a serem restauradas nesse primeiro sprint. Assim como o primeiro contrato de venda de créditos de carbono, em fase de negociação.

Ao longo de 2022 a empresa vem desenvolvendo um projeto piloto de 300 a 400 hectares na Bahia. “A experiência está se mostrando mais custo efetiva do que esperávamos”, diz Strassburg.

Desafio

Propostas de realizar restauração de florestas nativas em escala como a da re.green e a da Biomas, empresa lançada no último fim-de-semana na COP 27, têm sido olhadas com cautela por participantes do mercado, por conta do tamanho e da complexidade da empreitada. 

“De fato, a ambição que temos é fazer em escala industrial algo que hoje é feito de forma artesanal. O Brasil deve ter uns 100 projetos de reflorestamento com uma média de 7 hectares de extensão”, diz Strassburg.

“Mas passamos os últimos três anos planejando o negócio e montando a equipe. Hoje sabemos que os recursos para investir não são um gargalo e a demanda por créditos de carbono já é maior do que conseguiremos implementar no ano que vem. É uma questão de fazer a máquina funcionar.”