Guia Reset de Fundos ESG: Como pensar em investimentos mais sustentáveis

Um mapeamento inédito com 88 fundos que se dizem ESG ou sustentáveis disponíveis para o investidor de varejo – e como eles investem

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Nos últimos anos, o ESG saiu do nicho para o mainstream – e a tendência foi prontamente aproveitada pela indústria de fundos, com um boom dos produtos que se dizem ESG ou sustentáveis. 

No nosso Guia Reset de Fundos ESG mapeamos 88 fundos disponíveis para o investidor de varejo nos bancos e plataformas de investimento. É mais que o dobro dos 39 fundos mapeados no guia do ano passado. 

O levantamento levou em conta produtos disponíveis para o investidor pessoa física, com tíquete máximo de R$ 100 mil. Foram selecionados fundos que carregam as palavras ‘ESG’, ‘ASG’, ‘sustentável’, ‘verde’, ‘carbono’ – e variações do mesmo tema.

Mais do que dar um panorama das opções disponíveis, fomos a fundo para destrinchar o que está por trás de cada um desses produtos, já que, diante da falta de uma regulação, hoje é difícil saber o que diferencia uma estratégia dita sustentável de outra.  Ou, pior ainda, se está se levando gato por lebre (alô, greenwashing!).

Com os dados dos fundos em mãos, conversamos com os gestores responsáveis e fomos atrás de informações disponíveis sobre a estratégia sustentável usada em cada um dos produtos financeiros. O resultado é um cardápio detalhado para você pensar em alocações mais sustentáveis.  

 

Além dos números 

Além do volume, a oferta de fundos rotulados se sofisticou em termos de classes de ativos. Saiu dos fundos de ações locais e ganhou também a renda fixa e alguns poucos multimercados. 

Mas o maior salto foi na disponibilidade de produtos ESG que investem no mercado internacional – num movimento um tanto quanto óbvio, já que, fora do país, especialmente na Europa, o ESG já está bem mais avançado.  

Outra mudança foi na oferta de produtos temáticos, para investimento em empresas de energias renováveis, água e até hidrogênio verde, passando também por produtos que aplicam nos mercados de carbono dos Estados Unidos e da Europa. 

Nos fundos temáticos e naqueles cuja política ESG é mais detalhada, há muita atenção no E e menos no S

Há alguma oferta de produtos que visam premiar empresas que promovem equidade de gênero e alguns poucos fundos que prestam bastante atenção na rotatividade das empresas ou incentivam a concessão de crédito a pequenas e médias empresas, por exemplo. Mas o foco maior ainda é no meio ambiente e, mais especificamente, nas emissões de gases de efeito estufa.

Um ponto que pouco mudou de um ano para cá é que continua faltando clareza na comunicação dos atributos sustentáveis.  É fácil achar em qual tipo de ativo o fundo investe, qual seu benchmark, volatilidade e outras informações financeiras. Mas a política ESG geralmente não é clara ou é muito vaga – e demanda muita pesquisa e conversa para ser destrinchada. 

Como escolher seu investimento sustentável

Em dois anos e meio de Reset, conversamos com muitos gestores e estamos acompanhando de perto a curva de aprendizado em relação ao ESG no Brasil. Nesse processo, aprendemos a identificar alguns pontos de atenção na hora de escolher um investimento dito sustentável:

1. Não há apenas uma forma de se fazer ESG

Seria bem mais fácil se fosse assim, mas investir num fundo com rótulo ESG ou sustentável não garante que seu dinheiro esteja necessariamente trabalhando em prol de um mundo melhor. 

Alguns produtos realmente podem ser mais marketing que substância, mas mesmo aqueles que levam o assunto a sério adotam diferentes estratégias. Afinal de contas, o próprio conceito de certo ou errado varia, dependendo do interlocutor. 

O que você acha: precisamos banir investimentos em combustíveis fósseis e empresas de pecuária porque elas estão intrinsecamente ligadas ao aquecimento global? Ou é papel do gestor se engajar com as companhias para ajudar a mudar as práticas que hoje ainda não são o estado da arte em termos de sustentabilidade (e tentar capturar o prêmio de preço que pode advir dessa mudança)?

São exemplos de duas estratégias distintas e cabe ao investidor entender qual delas está mais de acordo com seus valores e suas expectativas. 

2. ESG é cultura 

Assim como em qualquer decisão de investimento, mais do que o rótulo, o que vale é entender o mandato do fundo e especialmente a cabeça dos gestores responsáveis. Redobre a atenção com produtos ESG lançados por gestores que não têm a menor intimidade com o tema nos seus fundos tradicionais. Pode até ser que a gestora esteja num processo de amadurecimento do tema nos produtos principais. Mas ESG é cultura: incorporar num produto e ignorar no processo de investimento dos demais fundos da casa tem cheiro forte de greenwashing. 

3. Além da filantropia

Claro que doar parte da taxa de administração para alguma instituição ou causa é um movimento bem-vindo. Mas não é a filantropia que torna o fundo um produto sustentável. Existe um conceito que é muito caro ao mundo ESG: materialidade, que significa focar no que importa. O que faz diferença e mexe o ponteiro é como a gestora aloca seu dinheiro. No guia, excluímos de cara fundos que apenas doam a taxa de administração e não têm nenhum política sustentável na gestão de ativos.  

4. O que tem nesse índice? 

Assim como no mercado em geral, está crescendo a tendência de investimento passivo em ESG, com base em fundos que replicam índices. Entender a metodologia de cada índice é crucial para saber onde você está alocando seu dinheiro. O Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3, o ISE, por exemplo, passou por uma reformulação importante no ano passado. 

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