Guia Reset de fundos ESG: Como navegar na nova leva de produtos sustentáveis

 

De uma oferta que mal enchia os dedos das mãos, os fundos de investimentos que se dizem ESG ou sustentáveis no Brasil se multiplicaram em 2020 — numa curva quase tão exponencial quanto as vendas de álcool em gel na pandemia.

Das estratégias mais simples, que acompanham índices de sustentabilidade, às mais sofisticadas, de gestão ativa, hoje são pelo menos 40 fundos disponíveis nas plataformas de investimento e nos bancos para o investidor de varejo que carregam ESG, sustentabilidade ou outras variantes do tema no nome.  

Mas, na falta de uma padronização, em que consiste cada estratégia ESG? 

Para navegar nessa onda crescente de opções, fizemos um levantamento nas plataformas de investimento, nos bancos e na CVM dos principais produtos disponíveis para o investidor pessoa física.

Com os dados em mãos, conversamos com gestores responsáveis e buscamos as informações disponíveis sobre a estratégia ESG usada em cada um dos produtos. 

Não se trata de fazer avaliações ou recomendações, mas, sim, de dar informações para que o investidor possa conhecer melhor as opções disponíveis e escolher quais delas se alinham aos seus objetivos e valores. 

Um disclaimer importante: o guia inclui apenas produtos rotulados, lembrando que a rotulagem, por enquanto, é autodeclarada, já que não existem regras de regulação ou autorregulação do setor para tal ainda. 

É possível que existam fundos que não carregam ESG e suas variantes no nome e estejam fazendo um trabalho sério de integração desses fatores. Mas nossa intenção, num primeiro momento, foi mapear os produtos que estão usando o ESG como estratégia principal de posicionamento no mercado. 

Também excluímos fundos com rótulo ESG ou de impacto e que apenas adotam a prática de doar parte da ou toda a taxa de administração, sem uma estratégia de gestão para a carteira.

Três conselhos 

Neste quase um ano de Reset, conversamos com muitos gestores, vimos a evolução da curva de aprendizado em relação ao tema e aprendemos a identificar sinais amarelos e pontos de atenção.  

Dessa experiência, separamos três conselhos importantes para quem quer começar a investir com base em critérios ESG:

ESG é cultura 

Assim como em qualquer decisão de investimento, mais do que o rótulo, o que vale é entender o mandato do fundo e especialmente a cabeça dos gestores responsáveis. 

Redobre a atenção com produtos ESG lançados por gestores que não têm a menor intimidade com o tema nos seus fundos tradicionais ou flagship. Pode até ser que a gestora esteja num processo de amadurecimento nos produtos principais — é difícil trocar o pneu do carro com ele andando. 

Mas ESG é cultura: incorporar num produto e ignorar no processo de investimento dos demais fundos da casa tem cheiro forte de greenwashing. No guia, sempre que possível, além de um breve relato da estratégia ESG, linkamos as reportagens do Reset que falam tanto sobre o fundo quanto da visão mais ampla dos gestores responsáveis para fatores socioambientais. 

Além da filantropia

Claro que doar parte da taxa de administração para alguma instituição ou causa é um movimento bem-vindo. Mas não é a filantropia que torna o fundo um produto sustentável. Existe um conceito que é muito caro ao mundo ESG: materialidade. Que significa considerar o que importa. Nesse caso, o que faz diferença e mexe o ponteiro é como a gestora aloca seu dinheiro e não como ela destina a taxa.

O que tem nesse índice? 

Assim como no mercado em geral, está crescendo a tendência de investimento passivo em ESG, com base em fundos que replicam índices. Não é questão de ser melhor ou pior que a estratégia ativa. Mas entender a metodologia de cada índice é crucial para saber onde você está alocando seu dinheiro. Muita gente se surpreende ao saber, por exemplo, que o Índice de Sustentabilidade Empresarial de B3 inclui a Petrobras.