Fintech das placas solares, Solfácil vai virar marketplace

Startup multiplicou negócio por nove e vai fechar 2021 com R$ 900 milhões financiados

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A fintech Solfácil, que financia exclusivamente a instalação de placas fotovoltaicas, viu seu negócio multiplicar por nove em 2021 e alcançar R$ 900 milhões em crédito concedido para 30 mil famílias e pequenos comércios.

Agora, numa virada que transforma a natureza do seu negócio, a empresa decidiu criar um marketplace para conectar os distribuidores dos equipamentos importados da China e os 7 mil integradores de projetos, ou seja, as empresas que vendem os projetos aos clientes finais.

A ideia é deixar de ser apenas uma fintech, embora essa continue sendo parte essencial do negócio, e se tornar uma solução mais completa dentro da cadeia de geração solar distribuída, principalmente em 2022 com o marco legal da energia solar.

É a segunda vez que os fundadores da Solfácil mudam seu negócio, mas sempre dentro do ‘sistema solar’, como gostam de dizer.

 

Atraído pelo potencial da geração solar nos telhados brasileiros, inicialmente o CEO Fabio Carrara montou ele mesmos uma integradora. Mas, depois de sentir na pele a dificuldade da falta de crédito para financiar projetos com tíquete médio de R$ 30 mil num país em que a maioria das famílias não tem poupança, resolveu criar a Solfácil em 2018, junto com outros três fundadores.

A empresa entendeu então uma segunda dor: a dificuldade de acesso aos kits de equipamentos. 

“Nossos integradores são pequenos, em sua maioria, estão espalhados no interior do país e são mais próximos da lojinha de elétrica da cidade do que do grande distribuidor. O marketplace vai fazer a ponte entre o distribuidor que compra da China e não tem capilaridade e os nossos 7 mil integradores”, diz Tiret, um francês que iniciou a carreira em bancos na City de Londres, ficou entediado e acabou migrando para o universo das energias renováveis.

Com uma capacidade de originação considerável dentro do universo das fintechs brasileiras, outra opção da Solfácil para ocupar novos espaços teria sido diversificar a área de atuação no crédito.

“Mas não queremos financiar geladeiras. Nossa paixão é o sistema solar e, depois do marketplace, partiremos para oferecer serviços. Mas realizar instalações está fora dos nossos planos.”

‘Mercado Livre solar’

A estrutura do marketplace já existe faz tempo e está dentro da própria Solfácil.

Hoje, os integradores já usam o sistema da empresa para protocolar os pedidos de financiamento dos projetos, selecionar os equipamentos, pagá-los e mandar entregar na residência dos clientes.

“Os integradores precisam de uma ferramenta boa e fácil de entender. Eles estão sempre na rua, não têm tempo para cuidar disso tudo”, diz Tiret.

A ideia, portanto, é dar mais musculatura à plataforma e torná-la algo central no negócio. Tiret diz que a lógica é a mesma do Mercado Livre e do Mercado Pago, ou seja, um marketplace com um braço de financiamento acoplado. 

Os integradores não pagarão nada pelo uso e a Solfácil será remunerada por uma comissão cobrada dos distribuidores, que não terão qualquer relação de exclusividade com a plataforma.

Diferentemente do Mercado Livre, a plataforma segue sendo B2B. Outra diferença é que, a priori, a logística não será da Solfácil. “Mas não descartamos no futuro ter um pouco de estoque para garantir o fornecimento de equipamento de forma mais ágil.”

Quase no azul

A empresa não precisa de capital novo para seguir crescendo, mas, como todo mundo no Brasil pré-eleitoral, está avaliando suas opções para atravessar 2022.

Depois da rodada série B de R$ 160 milhões, em julho do ano passado, a empresa está ‘bem próxima de dar lucro’.

“Nossos acionistas nos provocaram sobre uma nova rodada, mas estamos pensando se antecipamos a série C por causa do ano eleitoral, que deve ser turbulento, ou seguimos até 2023 com nosso caixa”, diz o CFO. Os investidores da empresa são QED Investors, Valor Capital e IFC, braço privado ligado ao Banco Mundial. 

Para fazer frente à explosão da carteira de financiamentos, a startup levantou um total de R$ 1,3 bilhão em dívidas com selo verde ao longo de 2021, usando diversos instrumentos, como fundos de direitos creditórios. “Fomos um dos maiores emissores de dívida verde no Brasil no ano.”

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