EXCLUSIVO: Lemann e cia responsabilizam executivos da Americanas

A interlocutores, os acionistas de referência têm dito que deram liberdade à 'turma' da varejista para tocarem o negócio como donos

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Nas poucas horas desde que estourou o escândalo contábil na Americanas, seus acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, que hoje têm 31% do capital da empresa, mas que foram seus controladores nas últimas décadas e até 2021, mantêm silêncio.

Sergio Rial, o CEO que denunciou o rombo na varejista e pediu demissão depois de somente nove dias no cargo, foi escolhido para assessorar o trio no processo de reestruturação da empresa e designado por eles como o único porta-voz. Segundo o próprio Rial, a contabilidade indevida que levou às inconsistências de R$ 20 bi pode ter começado há mais de dez anos.

De forma reservada, o que os acionistas de referência têm dito a interlocutores é que não podem ser responsabilizados pela lambança que está vindo à tona.

O Reset apurou que o argumento é que nas últimas décadas os três tiveram pouquíssimo contato com a ‘turma’ que liderava a Americanas.

 

Quando questionados sobre uma eventual relação causal entre os problemas ocorridos e o estilo de gestão incentivado por eles como controladores – excessivamente focada em resultados e com uma cultura de apertar os fornecedores –, a resposta é que o espírito foi o mesmo implantado nas demais empresas investidas e que sempre deu certo: dar oportunidade aos executivos para que fossem sócios e conduzissem o negócio como donos. 

Mas, dizem, no caso da Americanas, isso obviamente não funcionou.

Nos últimos 20 anos a Americanas foi liderada pelo engenheiro e economista Miguel Gutierrez, que ingressou na companhia em 1993 e saiu para a entrada frustrada de Sergio Rial.

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