Depois da Exxon, Engine Nº1 foca na GM — mas, desta vez, em missão de paz

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Depois de chacoalhar o conselho da ExxonMobil, o Engine Nº1 anunciou que comprou uma fatia relevante na General Motors, fazendo da montadora uma das três maiores posições de seu principal fundo.

Dessa vez, no entanto, a pequena gestora, que se tornou célebre pelo ativismo climático, veio em missão de paz. 

Ao contrário do que aconteceu na petroleira, onde a Engine venceu uma batalha digna de Davi contra Golias para eleger três conselheiros mais favoráveis à transição energética, na GM, o investimento é um sinal de apoio aos planos da companhia em direção à eletrificação. 

“Com o apoio de uma equipe de gestão realmente forte e um ótimo conselho, a GM decidiu que vai abraçar o futuro. Eles farão os investimentos necessários para ter sucesso nessa transição”, disse hoje o fundador da Engine Nº1, Chris James, em entrevista à CNBC. 

A posição na GM foi construída desde o começo do ano, mas até agora a gestora não tinha revelado o racional por trás da compra — o que ficou claro num white paper divulgado sem alarde no fim da semana passada, antes do Investor Day da GM.

As ações da GM já subiram 31% neste ano, dando à empresa um valor de US$ 77 bilhões. Mas ainda assim ela vale apenas um décimo da Tesla, líder na venda de carros elétricos.

A avaliação do Engine Nº1 é que a montadora vale muito mais do que seu atual preço em bolsa, especialmente porque sua posição de incumbente deve lhe dar largas vantagens frente às novas rivais que têm surgido no mundo dos carros movidos à eletricidade. A companhia foi a primeira entre as gigantes tradicionais a se comprometer com a venda exclusiva de veículos com emissão zero até 2035. 

“A escala do desafio da transição para veículos elétricos vai além do que a Tesla e outras entrantes podem prover no tempo necessário”, disse a firma no relatório. “As montadoras incumbentes são completamente capazes de se tornarem players centrais na transição para veículos elétricos e estão motivadas a fazê-lo.” 

A visão da Engine é que a GM é a incumbente mais adiantada no processo no mercado americano. A montadora pretende encerrar a produção de carros com motor à combustão até 2035. Para isso, está investindo US$ 35 bilhões na produção de carros elétricos e na construção de quatro plantas para a fabricação de baterias nos Estados Unidos até 2025. 

Apesar de a fatia da Engine Nº1 na companhia ser pequena, o endosso puxou para cima os papéis da companhia. Num dia azedo para as bolsas internacionais, na tarde desta terça-feira a ação da GM subia 1,17%, após ter subido mais de 4% na abertura.

(Editado por Natalia Viri)

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