Debênture com meta de acesso a saúde de R$ 1 bi do Fleury fica com único investidor

Rede lança 'Netflix da saúde' a partir de R$ 29,90 e oferta de cirurgias a preços acessíveis para atingir classes C, D e E, diz a CEO Jeane Tsutsui

 
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O Fleury concluiu ontem a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures com metas ESG, com juros atrelados ao cumprimento tanto de metas ambientais, quanto sociais, com compromisso de aumento de acesso às classes C, D e E. 

Apesar de ter se tratado de uma oferta pública, na prática, a operação acabou se tornando um private placement. Os títulos — emitidos em três séries — ficaram com um único investidor, segundo o CFO Fernando Leão Filho. 

“A gente está no início de um processo de amadurecimento dessa modalidade de emissão no país”, diz Leão, ressaltando que a emissão foi um sucesso, com demanda integral e os juros dentro do esperado. 

O Fleury foi a segunda empresa a levar uma oferta de debêntures com metas ESG a efetivamente a mercado no Brasil, depois da Via, e a primeira a incluir indicadores sociais entre os compromissos que podem disparar aumento de juros. 

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As debêntures da primeira série, de R$ 250 milhões, com vencimento em quatro anos, saíram com juros de CDI + 1,35%. As outras duas tranches, de R$ 375 milhões, com vencimento em 2026 e 2028 pagarão sobretaxas de 1,50% e 1,75% sobre o CDI.

Se as metas não forem cumpridas, haverá um prêmio de até 0,125 pontos percentuais ao ano na primeira série, 0,25 p.p. na segunda e 0,35 p.p. na terceira. 

Na emissão fechada ontem, os juros podem subir caso a companhia não atinja o objetivo de reduzir em 14% a geração de resíduos biológicos — aqueles que incluem agulhas ou outros materiais potencialmente infectantes — até 2023. Para 2025, a meta é de redução de 20,5%, sempre em relação aos patamares de 2019. 

A principal inovação, contudo, veio no âmbito social. 

A meta da companhia é atingir 1 milhão de clientes das classes C, D e E na sua plataforma digital, chamada de Saúde iD, até 2026. Há uma meta intermediária de 250 mil clientes a serem atendidos em junho de 2024. 

“É um desafio bastante grande, num mercado em que ainda estamos começando, mas as metas refletem nosso compromisso com essa estratégia”, diz a CEO do Fleury, Jeane Tsutsui. “Faz parte do core do nosso negócio.”

Com um posicionamento forte junto às classes A e B, o Fleury vem tentando expandir sua atuação por meio de uma plataforma digital chamada Saúde iD, que funciona como um serviço de saúde por assinatura, voltado à população que não é atendida por planos de saúde. Hoje, apenas 25% da população brasileira tem acesso a convênios médicos.

Ampliando o escopo

Lançada em setembro do ano passado, a plataforma dá ao cliente acesso a uma quantidade limitada de consultas de telemedicina, atendimentos de atenção primária, além de alguns exames. A maioria dos serviços é feito por prestadores parceiros, numa espécie de marketplace da saúde. 

A estratégia teve início num modelo conhecido como B2B2C, em que empresas contratam o serviço para oferecer como benefício aos seus empregados, num momento em que a telemedicina ganhou tração em meio à digitalização trazida pela pandemia do coronavírus. 

Mas desde o começo do ano, começou a avançar no modelo de B2C, mais voltado essencialmente para as classes C, D e E. Uma assinatura de R$ 29,90 dá acesso a telemedicina e alguns exames, valor que sobe para R$ 59,90 no pacote que também inclui uma consulta presencial por mês.

Uma nova oferta recém-inaugurada também mira essencialmente esse público. 

A Saúde iD começou a oferecer pacotes para a realização de cirurgias a preços acessíveis. Estão disponíveis cirurgias de vesícula, varizes, catarata, amígdala ou hérnia por preços que começam em R$ 2,5 mil e giram em média em R$ 4 mil —incluindo o pré-operatório, todo o custo da cirurgia, anestesia medicamentos e pós-operatório de 30 dias. Os valores podem ser parcelados.

“Existem mais de 1,5 milhão de pessoas esperando por esse tipo de procedimento no SUS”, diz Tsutsui. 

Desde o lançamento do Saúde iD, já foram feitas cerca de 400 mil consultas de telemedicina, diz a CEO. “Mas a maioria foi voltada para nossa oferta junto às empresas. Nas classes C, D e E estamos praticamente começando.”

A emissão de debêntures contou foi coordenada pelo Bradesco BBI e contou com parecer de segunda opinião em sustentabilidade da consultoria Sitawi.

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