De geração a baterias: o plano do Pátria em renováveis

Essentia, empresa criada pela gestora em 2019, coloca em operação segundo maior parque solar do país e quer triplicar a capacidade de geração em cinco anos

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Criada há menos de dois anos pela gestora Pátria para desenvolver novos projetos em energias renováveis, a Essentia Energia acaba de sair do papel. Na terça-feira, a empresa concluiu as obras da segunda maior usina solar do país, na Bahia, e recebeu autorização da Aneel para começar a despachar a energia gerada.  

Com investimento de R$ 1,4 bilhão e capacidade para gerar 475 MWp, a usina Sol do Sertão nasce com 90% da sua produção vendida para a Cemig pelos próximos 20 anos. Um segundo projeto de mesma envergadura, porém eólico, deve começar a operar no fim do ano que vem também na Bahia. 

Mas este é só o começo dos planos traçados para a Essentia pelo Pátria, um veterano do desenvolvimento de ativos renováveis no país, que criou a Ersa em 2006 e, depois, a CPFL Renováveis.

Além da intenção de crescer fortemente na geração, adicionando novos projetos solares e eólicos ao portfólio, a gestora quer chegar ao armazenamento de energias renováveis dentro de alguns anos.

 

“Podemos pelo menos triplicar o tamanho dessa companhia no Brasil nos próximos cinco anos”, diz Marcelo Souza, sócio do Pátria da área de infraestrutura e presidente do conselho de administração da Essentia. 

Entenda-se por triplicar o tamanho da empresa adicionar ao menos mais 3 GW de capacidade de geração aos projetos já em carteira, o que demandará pelo menos mais R$ 10 bi em investimentos.

A ideia é seguir fazendo parcerias com desenvolvedores de projetos eólicos e solares principalmente para comercialização no mercado livre, mas também através de leilões no mercado regulado.

Baterias e hidrogênio verde

Com a tendência global de eletrificação, dos transportes à indústria, Souza vê uma demanda cada vez maior por energias renováveis e, inevitavelmente, também por tecnologias de armazenamento da energia que chega de fontes intermitentes (sol e vento).

“Por enquanto, as tecnologias de armazenamento ainda têm pouca viabilidade comercial, mas, no momento em que a gente entender que o setor tem viabilidade comercial, a ideia é entrar em baterias”, diz ele.

Leonardo Serpa, CEO da Essentia, considera o negócio de armazenagem complementar ao de geração e estratégico para a empresa. “Até porque o perfil de consumo no Brasil tem mudado e o horário de pico está muito concentrado no período da noite, quando não há geração solar.”

O hidrogênio verde também está no radar para compor o portfólio de projetos da Essentia. “Estamos estudando o hidrogênio verde no Chile, onde temos um projeto de dessalinização da água do mar. Essa água pode ter múltiplos usos. Uma é a destinação para grandes clientes industriais, porque o Chile tem um problema de escassez hídrica, e outra é justamente o hidrogênio verde”, diz Souza.

Atualmente, o Pátria tem consultorias contratadas para ajudar a estudar o hidrogênio e a ideia é trazer os aprendizados para desenvolver projetos no Brasil, que oferece um potencial maior por causa do regime de ventos e também da maior facilidade logística para exportar para a Europa, um grande mercado para o produto. Hoje, há pelos menos US$ 20 bi em projetos de hidrogênio verde em estudo no país.

Mar solar

O parque de Sol do Sertão é composto de mais de 1 milhão de módulos fotovoltaicos. O projeto foi comprado de um grupo de desenvolvedores em 2019, já com o ‘power purchase agreement’ (PPA) da Cemig. Mas coube ao Pátria levantar o financiamento de R$ 910 milhões com o BNDES e tocar sua execução.

Em capacidade de geração solar, a usina só fica atrás do parque de São Gonçalo, no Piauí, controlado pela Enel.

Já o parque eólico Ventos de São Vitor, em fase de implantação em Xique-Xique (BA), terá 75 turbinas e capacidade para gerar outros 465 MW. O projeto foi comprado da Casa dos Ventos, uma das maiores desenvolvedoras de parques de geração eólica do país, e, posteriormente, venceu um leilão de fornecimento também para a Cemig.

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