Dança das cadeiras: A governança vai blindar a Previ?

O maior fundo de pensão do país anuncia a renúncia do presidente e o receio nos corredores é que a fundação seja alvo de interferência política

 

A Previ anunciou hoje a renúncia do seu presidente, José Maurício Pereira Coelho, depois de quase três anos no cargo.

As informações que circulam é que o novo presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, pediu o cargo por pressão do Centrão, que tem demandado posições no governo. 

Ninguém ainda sabe quem vai substituí-lo, mas nos corredores da fundação é grande a apreensão sobre a possibilidade de interferência política no maior fundo de pensão do país, historicamente o de governança corporativa mais robusta. 

Até hoje a Previ conseguiu ficar relativamente alheia aos desmandos políticos que machucaram o patrimônio de seus pares como Funcef, dos funcionários da Caixa, e Petros, da Petrobras.

A dança das cadeiras no maior fundo de pensão do país acontece poucos dias depois de uma mexida também no comando da Funcef. 

Acontece ainda depois que a chegada de Fausto Ribeiro à presidência do BB levou à renúncia do então chairman do banco, Hélio Magalhães, que reclamou de interferência do presidente Jair Bolsonaro. Ribeiro substituiu André Brandão, um executivo vindo do HSBC, que desagradou o presidente com seu plano de fechar agências e cortar funcionários.

Os sinais, somados à mudança no comando da Petrobras, são evidentemente péssimos para as estatais

Na Previ, no entanto, qualquer costura política terá que se dar dentro do limite das regras criadas no passado e incluídas em seu estatuto justamente para protegê-la: desde 1997 todos os seus dirigentes precisam ter no mínimo dez anos de filiação ao fundo de pensão. Em outras palavras, eles têm que ser funcionários de carreira do Banco do Brasil. 

Outra regra que equilibra forças é que existe uma paridade entre o número de dirigentes que podem ser indicados e aqueles que precisam ser eleitos pelos associados.

A governança vai blindar a Previ?