Construção verde: Urbem capta R$ 70 milhões com green bonds

Fábrica da startup para produzir madeira engenheirada, que substitui aço e concreto na construção, começa a operar em outubro

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Com sua primeira fábrica prestes a entrar em operação, a Urbem, que produz madeira engenheirada utilizada na construção civil, acaba de captar R$ 70 milhões em debêntures verdes

Os títulos, com vencimento em sete anos, foram comprados pelo Banco Brasil e pela gestora JGP, que colocou a maior parte dos papéis em seu fundo de crédito ESG. 

A madeira engenheirada, ou mass timber, usa camadas de madeira maciça sobrepostas para fazer pilares, vigas e lajes que substituem o aço e o concreto na estrutura de prédios de muitos andares, cortando drasticamente a emissão de gases de efeito-estufa do processo construtivo.

Os edifícios de madeira já vêm ganhando espaço na construção civil na Europa e, mais recentemente, nos Estados Unidos. No Brasil, o mercado ainda engatinha, mas começa a se estruturar. 

 

Os recursos captados com a emissão de dívida devem ajudar na implementação do plano de negócios da Urbem e principalmente com o capital de giro no início de produção da fábrica, afirmou ao Reset a CEO Ana Bastos. 

A unidade, que está sendo construída no município de Almirante Tamandaré, no Paraná, deve começar a operar em outubro. Já há contratos de fornecimento firmados com a Cubicset, uma empresa que trabalha com engenharia e arquitetura modular. 

“Temos contratos também para fornecimento para empresas de condomínios, edifícios multipavimentos”, diz Bastos. 

A unidade terá capacidade de produção de 100 mil metros cúbicos por ano de CLT (madeira lamelada cruzada), que substitui elementos planos, como lajes e paredes estruturais, e GLULAM (madeira lamelada colada), que entra no lugar de vigas e pilares. Esse volume de produção equivale a 500 mil metros quadrados de área construída.

Spin-off

A Urbem nasceu dentro da Amata, especializada em gestão de ativos florestais com manejo sustentável, e há pouco menos de um ano ganhou vida própria. 

O braço de venture capital da Dexco, antiga Duratex, entrou no capital com R$ 30 milhões. Outros R$ 73 milhões vieram de sócios da Amata: Guilherme Leal e Luiz Seabra, fundadores da Natura, Marili Matos e Dario Guarita Neto. 

Essa foi a primeira emissão de dívida da Urbem, que fez um framework para títulos verdes com parecer de segunda opinião da consultoria Resultante. “Mass timber vai crescer e esperamos voltar a acessar o mercado.”

Estoque de carbono

No parecer, a companhia foi considerada um ‘pure-play’, o que significa que a tese central do negócio é verde. 

“Estamos acompanhando de perto a evolução ESG do setor de construção civil e há uma dificuldade de implementação de boa parte da agenda por conta da matriz produtiva, muito dependente de concreto e aço”, afirma Ana Belizário, diretora de novos negócios da Urbem. “Por isso é tão importante para a gente termos o reconhecimento de que somos um negócio verde.”

A Urbem está concluindo a mensuração de carbono da sua solução. Estimativas gerais da indústria apontam que a substituição do concreto e do aço podem reduzir as emissões de CO2 do processo construtivo em mais de 60%. 

Há quem sustente que a solução é positiva em CO2, porque a madeira é um depósito natural de carbono. O carbono absorvido pelas árvores é armazenado até que elas apodreçam ou sejam consumidas em um incêndio, por exemplo. Mesmo cortada, a madeira segue estocando o CO2.

No parecer, a Urbem afirma que um metro cúbico de madeira engenheirada representa até uma tonelada de carbono estocada.

A madeira para o processo construtivo da Urbem vem de florestas plantadas de pinus. A Amata é um dos fornecedores.

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