Conheça as seis empresas brasileiras no ‘Oscar’ do desempenho ambiental

CDP, endossado por gestores de mais de US$ 100 tri, divulga líderes em transparência e ação ao menos uma de três categorias: redução de gases de efeito estufa, salvaguarda de recursos hídricos e proteção de florestas

 

As brasileiras Braskem, Cemig, Duratex, Klabin, Marfrig e Telefônica Brasil entraram na A-List do Carbon Disclosure Project (CDP), uma espécie de Oscar das empresas líderes em transparência e ação ambiental em ao menos um de três temas: redução de emissão de gases de efeito-estufa, gestão de recursos hídricos e proteção de florestas. 

Elas figuram numa lista formada por 313 empresas em todo o mundo, um aumento de 45% em relação a 2019, evidenciando uma crescente consciência ambiental no mundo dos negócios no ano que foi marcado pela pandemia. 

“A América Latina está acordando para o tema, há dois anos tinha um ou duas empresas brasileiras na lista e nenhuma outra latino- americana”, diz Lauro Marins, diretor do CDP para a região. “Além disso, quase todas as empresas da região que responderam ao questionário subiram o score. Mas tem muito trabalho para ser feito e as empresas têm que pensar mais no longo prazo e ser mais ambiciosas nas metas.”

A Braskem e a Marfrig entraram na A-List em segurança hídrica e a Duratex e a Telefônica Brasil, em mudanças climáticas. 

Cemig e Klabin levaram dois “As”: a primeira em mudanças climáticas e segurança hídrica e a segunda em segurança hídrica e florestas — neste último caso, estando numa lista restrita de apenas 16 empresas que tiveram a nota máxima no quesito. 

O CDP é uma organização sem fins lucrativos que visa fomentar a transparência e a ação ambiental. Cerca de 500 investidores globais, que gerem mais de US$ 100 trilhões em ativos, encorajam as empresas a divulgar as informações requeridas pela entidade. 

Mais de 9.600 empresas com cerca de 50% da capitalização do mercado global divulgaram dados ambientais por meio do CDP neste ano. Esse número representa um crescimento de 14% em relação ao ano passado e de 70% desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015. 

Apenas dez empresas alcançaram uma pontuação ‘triple A’ para os três temas, entre elas as europeias Danone e L’Oreal e as americanas HP e Philip Morris International (sim, ela mesmo, do controverso setor de tabaco). 

Para ser um ‘A’ puro em alguma das categorias, as empresas têm que cumprir uma série de requisitos, como metas de redução de emissões baseadas em ciência, no caso de mudanças climáticas.  

A metodologia está em linha com a do TCFD e considera: divulgação abrangente de impactos ambientais, riscos, oportunidades, governança e ações; consciência dos riscos ambientais e como eles se relacionam com seus negócios; ao demonstração da gestão desses riscos ambientais e evidências das melhores práticas.

Copo meio vazio

Apesar do aumento do reporte de dados ambientais e da maior quantidade e empresas com a nota máxima do CDP, a qualidade geral das divulgações ainda deixa a desejar. 

Segundo a organização, 74% das empresas avaliadas obtiveram notas D-C, o que significa que estão apenas começando sua jornada. 

É ainda mais preocupante a situação de mais de 3.700 empresas que não divulgaram nenhum dado quando solicitado por investidores ou clientes. Mais de três vezes esse número recebeu nota F em pelo menos um tema. 

“Agora precisamos que esses pioneiros inspirem a maioria das empresas, que ainda está lenta nesse processo, se o setor privado quiser assumir um papel de liderança quando as metas climáticas aumentarem na COP26 do próximo ano. Foi dada a largada”, disse Dexter Galvin, diretor global de corporações e cadeias de fornecimento do CDP, em nota.