Chevron triplica investimento em unidade de baixo carbono

Petroleira vai colocar US$ 10 bi em biocombustíveis, hidrogênio e captura de carbono até 2030. Cifra é pequena diante dos investimentos em óleo e gás

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A Chevron anunciou hoje que vai mais do que triplicar o investimento em sua unidade de baixo carbono e promete gastar US$ 10 bilhões até 2028. O dinheiro será usado na produção de biocombustíveis e hidrogênio e em tecnologias para a captura de carbono.

O compromisso anterior da empresa era de investir US$ 3 bilhões em energias limpas. Mas, mesmo com o aumento, o investimento em combustíveis menos poluentes equivale a uma fração do que a companhia pretende colocar em projetos de petróleo e gás, algo em torno US$ 15 bilhões ao ano até 2025.

Segundo o CEO Mike Wirth, a estratégia permitirá à Chevron continuar reinvestindo em seu negócio tradicional ao mesmo tempo que se expõe a novas oportunidades. “Estamos tentando criar opções conforme o sistema de energia evolui”, disse Wirth. “Esperamos gastar mais do que isso no futuro, com base em certas coisas que podem acontecer.”

O compromisso parece seguir a máxima de que é melhor prevenir do que remediar e acontece depois que executivos da Chevron se reuniram, nas últimas semanas, com representantes do Engine nº1, o pequeno hedge fund americano que impôs uma derrota à ExxonMobil na última temporada de assembleias de acionistas, conseguindo apoio para eleger três novos conselheiros com a agenda da transição energética.

Segundo reportou o Wall Street Journal, a Chevron vinha se preparando para se defender de possíveis investidas de investidores ativistas a favor da descarbonização, embora o Engine nº1 não tenha dado indicações de que pretendia iniciar uma campanha contra a petroleira.

No anúncio desta terça, a empresa informou que espera que o investimento faça com que a unidade de baixo carbono gere mais de US$ 1 bilhão em fluxo de caixa operacional até 2030, com o aumento da produção de biocombustíveis e hidrogênio. De acordo com o CEO, a companhia já “tem conhecimento suficiente dessas tecnologias”.

As previsões para o fluxo de caixa bilionário da unidade também contabilizam a captura ou compensação de 25 milhões de toneladas métricas de emissões de carbono por ano, além de acordos firmados com empresas do setor industrial e com companhias aéreas.

Por outro lado, a petroleira descarta aportes em energia solar e eólica. Na visão da empresa, esses são negócios maduros que oferecem poucas oportunidades de lucro. 

Investidores têm criticado a empresa por não divulgar um objetivo concreto de redução de gases do efeito estufa no longo prazo, como fizeram petroleiras europeias como BP e Royal Dutch Shell. Segundo Wirth, a companhia só irá impor uma meta de redução se tiver confiança de que poderá atingi-la. 

Em maio, 61% dos acionistas da companhia frustraram o conselho da empresa e votaram a favor de uma proposta para a redução de emissões de carbono geradas em escopo 3 mesmo sem uma meta estabelecida.

Recentemente, a Securities and Exchange Commission, a CVM americana, mostrou-se favorável a subir o sarrafo das empresas para que elas cumpram seus compromissos ambientais. A SEC quer exigir que as companhias com ações listadas divulguem o reporte climático junto dos relatórios anuais de resultados.

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