Celeiro verde: Barn adota tese greentech e prepara novo fundo de R$ 250 milhões

Gestora de venture capital reformula estratégia de investimento e vai dobrar a aposta no desenvolvimento sustentável

 

A gestora de venture capital Barn Investimentos deu uma virada em sua tese de investimentos para mirar exclusivamente em tecnologias que promovam a sustentabilidade ambiental, ou greentechs. Para concretizar a nova aposta, a casa está captando seu quarto fundo, com objetivo de levantar entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.

Por trás da mudança está a crença de que nos próximos anos será difícil pensar em soluções para os principais problemas do mundo que não sejam verdes. “O ‘green’ será a nova inteligência artificial”, diz Flavio Zaclis, sócio e CEO da Barn. “Um volume muito grande de dinheiro pode vir para as greentechs.”

Startups brasileiras com agendas ligadas à sustentabilidade receberam quase US$ 1 bilhão em investimentos desde 2011, segundo um estudo da Distrito. Em 2021 já são 20 investimentos realizados e que somam US$ 73,4 milhões.

Zaclis diz que, apesar de todo o interesse, as gestoras ainda não botaram foco exclusivo nas greentechs e daí a decisão de ocupar o espaço. “Queremos focar para entender a dinâmica do setor e promover investimentos de um jeito que ninguém está fazendo ainda.”

O norte da nova tese é o aumento da eficiência da produção aliado à redução de emissões de gases de efeito estufa.

Para tangibilizá-la, a gestora definiu cinco segmentos de negócios em que pretende prospectar novas investidas: agricultura e alimentação, transporte e logística, indústria e economia circular, energia e eficiência energética, além de construções sustentáveis. 

Não chega a ser uma mudança tão radical para a gestora focada em aportes ‘early stage’ criada em 2012 e que já lançou três fundos anteriormente, o último de R$ 150 milhões. Nos últimos anos, a Barn já voltava esforços para startups com uma pegada sustentável e, a cada quatro investimentos da carteira atual, três são em greentechs.

Estão no segmento algumas das estrelas do portfólio, como a desenvolvedora de softwares de gerenciamento de fazendas Strider, comprada pela Syngenta em 2018, e a Trocafone, uma plataforma de venda de smartphones de segunda mão que se posiciona como um negócio de economia circular e inclusão digital, e é vista como potencial ‘joia da coroa’ por Zaclis. A gestora é a terceira maior acionista da empresa, que já fez três rodadas de captação num total de US$ 62 milhões e acaba de protocolar um pedido de abertura de capital.

A ideia com o novo fundo, ainda em fase de captação, é fazer entre 12 e 15 investimentos com cheques que giram de R$ 5 milhões a R$ 10 milhões. Uma fatia de 40% do capital será reservada para follow-ons dos negócios mais promissores.

O novo veículo vai operar de forma paralela com o terceiro fundo, que ainda conta com R$ 40 milhões disponíveis. “A tese não muda. Só muda o bolso”, diz Zaclis.

Pecuária, sim. Energia, não

Zaclis acredita ser possível concluir entre quatro e seis investimentos ainda neste ano e ao menos três já estão em fase avançada de negociação, nos segmentos de economia circular, inteligência artificial na agricultura e pecuária.

Dentre os cinco pilares escolhidos, o agronegócio é onde a gestora se sente mais à vontade, devido ao seu histórico na área, que inclui aportes em Agrolend, Grão Direto e Agritask, além de Strider. E problemas a serem resolvidos não faltam.

“A agricultura responde por 27% das emissões de CO2 do mundo e a pecuária bovina claramente é o problema mais óbvio”, diz Zaclis, completando que a casa tem prospectado tecnologias ligadas ao rastreamento da cadeia de fornecimento e de genética e alimentação animal — as duas últimas de olho na redução da emissão de metano do processo digestivo. 

Dentro do espectro de tecnologias verdes, o que fica completamente fora do radar da gestora são negócios ligados à infraestrutura, que demandam capital intensivo. “A gente adoraria investir em energia eólica ou solar. Mas isso não cabe no nosso cheque”, diz Zaclis.

Para incluir energia na carteira, a opção será investir em negócios ‘asset light’, como empresas que desenvolvem softwares que podem ajudar a gerenciar melhor o consumo de energia e evitar o desperdício.