BTG dá largada para captação de fundo de impacto de até R$ 1,2 bi

Fundo de private equity dá corpo a leva recente de iniciativas de investimento com impacto socioambiental positivo por parte de instituições financeiras 'mainstream'

 

O BTG deu a largada para a captação de seu primeiro fundo de private equity de impacto, que pode levantar até R$ 1,2 bilhão, conforme antecipado pelo Reset, num movimento que pode servir de termômetro para a capacidade do ‘mainstream’ de gerar impacto positivo sistemático e associado ao retorno financeiro. 

Segundo prospecto preliminar arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o valor mínimo de captação para o primeiro fechamento é de R$ 300 milhões. 

O fundo, batizado de BTG Pactual Investimentos Sustentáveis e de Impacto, ficará a cargo da equipe de Renato Mazzola, que comanda o braço de private equity do grupo, e contará também com a participação na gestão de Mariana Oiticica e Iuri Rapoport, sócios responsáveis pela área de impact investing. 

O documento apresentado à CVM não traz muitos detalhes sobre como se dará a mensuração de impacto. Diz apenas que o fundo seguirá os princípios de mensuração e divulgação de impacto do IFC, do Banco Mundial.

Esses padrões, reunidos nos ‘Operating Principles for Impact Management’ e ‘Performance Standards’, estabelecem que o gestor deve não apenas gerenciar os potenciais impactos negativos de cada investimento, como atuar de maneira ativa para que haja criação de impacto positivo.

Além disso, é necessário divulgar esses dados publicamente e submeter o alinhamento aos princípios a uma verificação independente. 

O fundo de impacto do BTG buscará empresas no setor de infraestrutura, especialmente de água e saneamento, transporte sustentável e geração de energia renovável. 

Estão no escopo também empresas de eficiência energética, agronegócio sustentável, saúde e bem-estar, educação, segurança alimentar, habitação e inclusão financeira. 

Se bem sucedida, a captação deve colocar o fundo entre os maiores voltados para investimento de impacto no Brasil. Entre as grandes gestoras, a Vinci Partners foi a primeira a testar esse mercado, com seu fundo de private equity IV, lançado em 2020 e que já levantou cerca de R$ 1 bilhão.

Entre as casas com tradição na área de impacto, a Vox Capital também está na rua com a pretensão de levantar até R$ 500 milhões com seu terceiro fundo.

Com uma área de impacto criada no começo do ano passado, pouco antes do estouro da pandemia, o BTG começou a mostrar os projetos associados a ESG e impact investing nos últimos meses. 

Na semana passada, captou US$ 500 milhões em green bonds numa oferta pública no mercado externo, depois de testar as águas com uma emissão privada de US$ 50 milhões no fim de novembro.

Além disso, está levantando um fundo de US$ 1 bilhão na área de timber para dar escala ao reflorestamento de pastagens.

Na contramão, em outubro, o banco foi alvo de críticas no mercado de impacto e ESG por coordenar a emissão de uma debênture da Engie para financiar uma térmica 100% a carvão.