Braskem fará spin-off do negócio de plásticos verdes

Em gestação desde o ano passado, plano prevê a atração de um sócio minoritário para a operação de biopolímeros

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Com os ventos da neutralização de emissões de carbono e da economia circular soprando mais fortes do que nunca, a Braskem decidiu fazer um spin-off do seu negócio de plásticos à base de cana-de-açúcar, destravando um valor que hoje fica turvado pela atividade principal – e cada vez mais controversa – de produtos de origem fóssil. A empresa é hoje a maior produtora de biopolímeros do mundo.

A informação, dada em primeira mão pelo jornal Valor, foi confirmada pelo Reset.

O plano vem sendo gestado desde o ano passado e prevê a atração de um sócio minoritário para a operação de biopolímeros.

A preferência é por um fundo de private equity ou pela fusão com um SPAC listado nas bolsas americanas. (SPACs são empresas que primeiro abrem o capital em bolsa e depois vão em busca de um negócio para adquirir e, por isso, são chamadas de companhias de cheque em branco.)

 

Uma oferta pública inicial de ações da nova empresa não estaria nos planos neste momento, segundo uma pessoa a par das discussões. 

“O mais importante agora é alavancar o projeto, torná-lo mais visível e destravar valor”, comenta a mesma pessoa.

Hoje não falta capital no mundo em busca de negócios com vantagens climáticas, e a Braskem busca uma avaliação em torno de US$ 2 bilhões para a nova empresa. O valor de mercado da Braskem toda está em US$ 7 bi.

Se atualmente não existe restrição para seguir investindo no aumento da produção dos plásticos verdes, no longo prazo o spin-off confere independência financeira ao negócio, que consumirá cada vez mais recursos para seguir em expansão.

Com isso, também é esperado um aumento do valor da própria Braskem – como se sabe, os controladores Novonor (a antiga Odebrecht, em recuperação judicial) e Petrobras  tentaram, sem sucesso, primeiro vender e depois buscar uma oferta secundária em bolsa para se desfazer da petroquímica.

O processo para cindir o negócio de plásticos verdes já está em andamento. A produção seguirá dentro do polo petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. Mas a nova empresa passa a ser uma cliente da Braskem, com contratos de prestação de serviços que regulam a relação comercial.

A Braskem começou a produzir o primeiro bioplástico em escala industrial do mundo dez anos atrás, quando a demanda por alternativas aos derivados de petróleo e a rejeição ao lixo plástico não estavam em alta como agora. 

As resinas são feitas a partir do etanol de cana desidratado. Como a planta absorve CO2 da atmosfera para crescer, existe uma captura de CO2 no processo produtivo.

Sob a marca I’m Green, a linha de biopolímeros tinha até o ano passado uma produção de 200 mil toneladas. Até o fim deste ano, a capacidade produtiva deve chegar a 260 mil toneladas. A meta é ir a 300 mil toneladas em 2025 e 1 milhão de toneladas até 2030.

O plástico verde da Braskem está em 600 produtos de 200 marcas diferentes, de solados de sapato a sacos de lixo, passando por embalagens para cosméticos, alimentos e brinquedos.

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