Bradesco, Itaú e Santander nomeiam conselho de notáveis pró-Amazônia e agora vão trazer grandes frigoríficos para a mesa

Setor de carnes foi escolhido como prioritário no plano dos três bancos privados para financiar o desenvolvimento sustentável da floresta

 

Um conselho de sete notáveis que reúne de cientistas e ambientalistas a pecuaristas foi apontado por Bradesco, Itaú e Santander para ajudar a desenhar políticas para financiar o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Um plano com dez medidas foi anunciado pelos três maiores bancos privados há um mês.

Integram o conselho: Adalberto Luís Val, biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); Adalberto Veríssimo, co-fundador do Imazon, um dos principais centros de pesquisa da Amazônia; André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM); o cientista Carlos Nobre, estudioso das mudanças climáticas; o empresário manauara Denis Minev, presidente das Lojas Bemol; a bióloga e ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira e a pecuarista Teresa Vendramini, que preside a Sociedade Rural Brasileira.

O fórum se reunirá a cada três meses e terá uma função consultiva. As decisões sobre as políticas e linhas de financiamento serão tomadas pelos CEOs dos três bancos, que têm se reunido semanalmente com os três executivos responsáveis pela área de sustentabilidade em cada instituição.

Paralelamente, Bradesco, Itaú e Santander estão convidando JBS, Marfrig e Minerva, os três maiores frigoríficos do país, para formar um grupo de trabalho e discutir as políticas de crédito a serem adotadas para desestimular o desmatamento para criação de gado.

Dentro das dez medidas para incentivar o desenvolvimento sustentável da Amazônia, deixar de financiar frigoríficos que desmatam a região foi escolhida como a de mais alta prioridade.

As conversas devem contemplar dois pontos críticos: como ter toda a cadeia de fornecimento dos frigoríficos rastreada e certificada e como apoiar e financiar a transição de toda a cadeia de fornecimento, desde a ponta, para um sistema de produção que não desmata.

Na frente do rastreamento, até aqui essa diligência fica na alçada do próprio frigorífico, o tomador do crédito. A ideia é ter total segurança de que não houve desmatamento em nenhum elo da cadeia, desde o bezerro, passando pela engorda, até chegar aos grandes frigoríficos. Como parte das soluções que serão discutidas, uma das possibilidades é que os bancos incorporem o rastreamento ao seu processo de análise de crédito. Mas isso ainda não foi decidido.

Os bancos entendem também que não adianta simplesmente fechar as portas do crédito, porque isso quebraria produtores que dependem desse fornecimento. A solução deve passar por programas que apoiem a transição do produtor não só financeiramente, mas com ferramentas e formação.

Subsídio privado

Em algumas ações do plano dos bancos, haverá crédito subsidiado, numa espécie de “Pronamp privado”. O Pronamp é a linha de crédito do BNDES para custeio e investimento do pequeno e médio produtor agrícola.

A ideia não é ter uma política de subsídios definitiva, mas que funcione durante um período de transição. Os bancos entendem que para financiar o desenvolvimento de culturas sustentáveis e a bieoeconomia na Amazônia não é possível partir das taxas atualmente praticadas por eles.  Os três grandes já chegaram a um consenso de que precisarão deixar dinheiro na mesa num primeiro momento. Os subsídios, entretanto, não devem vir sem contrapartidas e os empréstimos devem ser atrelados a metas ambientais que servirão de gatilho para juros mais baixos.

(Crédito da foto: Sébastien Goldberg/Unsplash)

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