BNDES quer levantar R$ 800 milhões para fundos de impacto

Banco vai selecionar três fundos e contribuir com até 25% dos recursos

 
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O BNDES abriu uma chamada pública para selecionar três fundos de investimento de impacto socioambiental, numa iniciativa que deve catalisar ao menos R$ 800 milhões para negócios em setores como gestão de resíduos, moradia, acessibilidade digital, meio ambiente, transporte, recursos hídricos, saneamento básico e educação.

O banco aplicará até 25% do valor de cada fundo, que terá que captar o volume restante no mercado. A ideia — como em outros FIPs do banco de fomento — é atrair capital privado para a modalidade. 

Em meio à estratégia de ser menos ativo em empréstimos a grandes empresas e mais focado na concessão de crédito e serviços para setores sociais mais críticos, o BNDES vem trabalhando desde o ano passado para reforçar sua atuação para a formação de um ecossistema de investimentos e negócios de impacto no Brasil. 

“Poucos países do mundo têm a capacidade que nós temos no Brasil de ter escala em negócios com impacto socioambiental”, afirmou o presidente Gustavo Montezano, durante live da ‘Semana de Impacto’, promovida pelo banco. 

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A chamada para fundos de investimento contará com duas modalidades, de acordo com o porte das empresas. 

Serão selecionados dois fundos na modalidade ‘MPME’, com foco em empresas que apresentem receita operacional bruta de até R$ 90 milhões no ano imediatamente anterior ao aporte do fundo. 

Nesse caso, cada fundo deverá ter como meta a captação de pelo menos R$ 200 milhões. 

Na modalidade FIP Impacto Livre, poderá ser selecionado um fundo que invista em empreendimentos sem limite de receita, devendo ter como perspectiva um capital comprometido mínimo de R$ 400 milhões.

As propostas serão submetidas ao BNDES até dia 13 de agosto e a expectativa é concluir a seleção em novembro. 

“Será avaliada a estrutura da proposta, considerando-se a tese de impacto do fundo e dimensões como a estratégia de formação de portfólio e o investimento em empreendimentos oriundos de regiões periféricas, a composição de custos e a captação de recursos”, disse o banco em comunicado, destacando que avaliará também as metodologias de mensuração de impacto socioambiental das empresas investidas. 

A composição da equipe gestora do fundo também será um critério de seleção: o BNDES vai observar a diversidade de gênero e etnia, além da inclusão de pessoas com deficiência. 

O fundo de impacto da Vinci Partners, que já levantou mais de R$ 1 bi, nasceu de uma chamada pública do banco de fomento.

Além dos fundos de investimento, o BNDES lançou oficialmente na semana passada o segundo ciclo de aceleração de startups BNDES Garagem. 

Neste ano, serão selecionadas 135 pequenas e médias empresas cujos negócios tenham necessariamente impacto socioambiental para receberam orientação e  mentoria. Nesse caso, no entanto, não há aportes do banco nas selecionadas.

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