BNDES lança aceleração para startups de impacto e quer medir os resultados

Compartilhar

O BNDES acaba de lançar a segunda edição do programa de desenvolvimento de startups, o BNDES Garagem, dessa vez com foco em empresas voltadas para impacto socioambiental. 

Diferentemente da primeira edição, que teve escopo mais amplo, a ideia é selecionar soluções que tenham impacto positivo como estratégia central do negócio, e que mirem nichos de negócios rentáveis. 

Além disso, o banco pretende medir de forma sistematizada o impacto gerado pelas startups aceleradas. 

“Nossa preocupação é se o ambiente está preservado, se os brasileiros têm saneamento, segurança. Lucro vem como consequência e cada vez mais empresas estão entendendo que quem não se pauta por isso vai ficar fora do mercado”, disse o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, em live de lançamento. 

Ele reiterou que pretende participar ativamente do processo, por meio de mentorias e palestras para os selecionados e que a iniciativa deve ajudar também na transformação do próprio banco. 

“Ter um banco de desenvolvimento orientado por propósito, inovador e que pensa no impacto pode fazer uma baita diferença para o Brasil”, completou. 

A mudança no direcionamento vem num momento em que o banco está consolidando a sua estratégia de ser menos ativo em empréstimo para grandes empresas e focando na concessão de crédito e serviços para setores sociais mais críticos. O Garagem não envolve investimentos do banco nas empresas aceleradas.

O programa 

A segunda edição terá duração de 30 meses e selecionará 135 startups, em duas categorias: as de ‘criação’, que ainda estão tirando as ideias da prancheta, e as de ‘tração’, com produto na rua e faturamento de até R$ 16 milhões. 

O programa contará com três ciclos de 45 participantes e duração de três a quatro meses. No primeiro ciclo, serão selecionadas startups de saúde, educação, sustentabilidade, govtech e cidades sustentáveis.

O banco entra com mentoria, apoio e conexões, mas sem equity. Ao fim de cada ciclo será realizado um Demo Day, no qual os trabalhos desenvolvidos serão apresentados a potenciais investidores e outros públicos de interesse. 

Na fase inicial, lançada hoje, será feita a seleção de uma aceleradora para dar apoio à iniciativa. As inscrições vão até 23 de outubro e a vencedora será divulgada na segunda quinzena de janeiro. 

Mensuração 

Filipe Borsato, chefe do departamento de gestão de investimentos e responsável pelo Garagem, destacou a importância da mensuração de impacto para o projeto e para o próprio banco. 

“Existem diferentes metodologias, mas a mensuração é fundamental. Queremos fazer e verificar o impacto em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODSs)”, afirmou. 

A apresentação de técnicas ou metodologias para medir e acompanhar o impacto socioambiental é um dos fatores a serem considerados na seleção da aceleradora pelo banco de fomento, de acordo com o edital divulgado há pouco. 

“Caso as startups tragam outras metodologias, é bem-vindo. Existem múltiplas metodologias, é sempre bom trocar experiências e o banco está aqui para ajudar, colaborar, mas também para aprender”, diz Borsato. 

A mensuração do impacto gerado pelo banco com o programa também está sendo desenhada e refinada pela área de planejamento. 

“A ideia é que a gente acabe selecionando para participar dessa avaliação não só as startups que vão participar do programa, mas a aceleradora também terá a atribuição de acompanhar algumas startups bem ranqueadas, porém não selecionadas. A gente vai ter um grupo de controle e um de tratamento”, diz Daniela Arantes, gerente do departamento de gestão de investimentos. 

“Tudo está sendo desenhado, a ideia é que a gente divida isso com a aceleradora contratada e comece a trabalhar em conjunto.” 

Primeira edição 

A primeira edição do programa teve mais de 5 mil startups inscritas e acelerou 74 startups. 

Das 30 startups que participaram do módulo de tração, a maioria teve crescimento de receita e foram feitas conexões com cerca de 50 investidores, diz o BNDES. 

Já das 44 que participaram do módulo de criação, 16 se converteram em empresas com CNPJs, sendo que 43% delas já geravam receitas ao fim do programa. 

As aceleradoras selecionadas foram a Wayra e a Liga Ventures.

Quer receber o Reset no seu e-mail? Inscreva-se

A melhor cobertura de negócios e finanças sustentáveis

Contribua com o Reset e ajude a construir a mudança.