Blue Like an Orange levanta fundo de US$ 200 milhões para impacto na América Latina

Gestora de ex-diretores do Banco Mundial foca em instrumentos híbridos de crédito e quer preencher lacuna de financiamento na região

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A Blue Like an Orange, gestora de investimento de impacto para países emergentes fundada por ex-executivos do Banco Mundial, concluiu a captação de US$ 200 milhões para seu primeiro fundo voltado para a América Latina. 

A firma já tinha levantado cerca de US$ 100 milhões no fim de 2018, e agora concluiu a captação de valor semelhante para o fechamento final. 

Os recursos vieram de investidores institucionais como a seguradora Axa, o banco HSBC e o BNP Paribas, além de family offices de investidores de peso no setor de impacto, como Sir Ronald Cohen, o britânico pioneiro da área, e o filantropo americano Ray Chambers. 

Fundada em 2017, a Blue Like an Orange trabalha com a modalidade de investimento conhecida como ‘mezanino’, que mistura características de dívida e ações — como uma concessão de crédito que pode ser convertida em participação acionária ou cuja remuneração está ligada aos resultados financeiros da empresa. 

Trata-se de uma lacuna no mercado latino-americano, em que muitas empresas têm pouco acesso amplo a financiamento de longo prazo e não estão necessariamente dispostas a abrir mão de participação acionária. 

Tipicamente, a Blue Like an Orange entra em operações com tíquete entre US$ 10 milhões e US$ 30 milhões e tem como foco tanto empresas do chamado middle market, já bem estabelecidas e com rentabilidade, quanto startups já um pouco mais robustas, numa rodada de capital B ou C. 

A gestora — cujo nome deriva de um poema surrealista do poeta francês Paul Éluard — tem um acordo de co-investimento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com quem atua em conjunto para originar e estruturar e executar as transações.

Até agora, o BID já investiu US$ 40 milhões em conjunto com a Blue Like an Orange e pretende investir mais US$ 50 milhões nos próximos meses .

“Estamos com um portfólio extremamente ativo e, com a covid, essa demanda está aumentando, inclusive de empresas que nos procuram de forma passiva, sem precisar que a gente vá atrás”, diz Cristina Penteado, diretora da Blue Like an Orange responsável pela operação brasileira. 

Segundo ela, os setores em que a gestora vem mantendo mais conversas no Brasil são o de saúde, agricultura regenerativa e inclusão financeira. 

Portfólio

Desde a sua fundação, a Blue Like an Orange já investiu US$ 80 milhões na América Latina. 

No Brasil, concedeu US$ 25 milhões em crédito para que a Cimcorp, de serviços de TI, comprasse a Resource, formando a Qintess, uma empresa líder no setor.

A companhia, que provê uma ampla gama de serviços de tecnologia de informação, de softwares de gestão a ferramentas de relacionamento com o cliente, contribui para a digitalização de pequenas e médias empresas. 

Foi a Qintess que desenvolveu por exemplo toda a tecnologia de educação à distância do Sesi e do Senai, permitindo que os cursos profissionalizantes chegassem a regiões distantes dos polos físicos. 

Além disso, a Blue Like an Orange já financiou a equatoriana Produbanco, viabilizando o funding para uma carteira voltada para pequenos e médios negócios, e a colombiana Movii, de serviços financeiros para desbancarizados. 

Outro investimento foi na Cabify, empresa de compartilhamento de corridas de carros de origem espanhola, que concorre com a Uber e a 99 na América Latina.

O fundo tem como princípio investir em negócios alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, sem abrir mão de retornos financeiros. 

No começo deste ano, a firma abriu sua metodologia de avaliação de impacto numa plataforma open-source, chamada SDG Blue.

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