BlackRock alerta: quer conselhos fluentes em risco climático

Gestora de US$ 9 tri detalha como espera que clima se integre a estratégia de investidas — e critica o modelo de 'expert climático' apenas para cumprir tabela

 
Compartilhar

A última carta de Larry Fink a CEOs deixou claro que a BlackRock espera um plano de ação das empresas para caminhar em direção a um futuro neutro em carbono. 

Em relatório divulgado hoje, a maior gestora de ativos do mundo detalhou o que espera das companhias e dos boards para tirar os planos do papel. 

“Esperamos que os conselheiros tenham fluência no risco climático e na transição energética para permitir que todo o board — mais que apenas um conselheiro que é um ‘expert climático’ — dê supervisão apropriada para os planos e metas da companhia”, escreveu a equipe de stewardship, responsável pelo engajamento com as empresas investidas. 

O recado deve levar muitos conselheiros de volta à escola. 

Segundo uma pesquisa do Stern Center for Sustainable Business da NYU, dos 1188 conselheiros das 100 maiores empresas americanas, apenas três (você leu certo, 3) tinham formação ou algum tipo de experiência na área. 

A ideia da BlackRock é que o risco seja efetivamente integrado à estratégia e que os conselheiros sejam capazes de dar transparência e informar sobre planos e progressos para mitigar riscos, capitalizar eficiências e apontar oportunidades de inovação.

“Podemos votar contra diretores que consideramos responsáveis por fazer vista grossa ao risco climático”, ressaltou a gestora, que, no ano passado, já votou contra propostas levadas em assembleia por 69 empresas por questões ligadas ao clima. 

Transparência 

A  BlackRock ressaltou que espera metas claras de curto, médio e longo prazos para que as empresas mostrem como pretendem se alinhar aos objetivos do Acordo de Paris, de limitar o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius frente aos níveis pré-industriais até 2050. 

Nesse sentido, a gestora disse que espera que as companhias quantifiquem e divulguem suas emissões de gases de efeito estufa dos escopos 1 e 2, geradas nos próprios processos produtivos. 

Para empresas carbono-intensivas, que produzem ou dependem de petróleo, gás e carvão, a BlackRock quer saber também as emissões do chamado escopo 3, geradas por fornecedores e clientes em sua cadeia de valor. 

Outro recado importante foi em relação à compensação de emissões, feita, por exemplo, via compra de créditos de carbono e projetos de reflorestamento — que deve ser feita como uma etapa intermediária, mas não encarada como uma solução definitiva.

“Reconhecemos que as companhias podem usar offsets de carbono no curto e médio prazo na medida em que elas inovam para desenvolver tecnologias que darão apoio a reduções adicionais nas suas emissões de gases de efeito-estuda”, disse a equipe. “Vemos as compensações como uma solução intermediária, mas não como uma substituição para planos de reduções substantivos e de longo-prazo”.

O time também reforçou a mensagem de espera que as empresas reportem suas estratégias de acordo com o Task-Force on Climate Related Disclosures (TCFD) e com o Sustainability Accounting Standards Board (SASB).

LEIA MAIS

O que você precisa saber para começar a entender o mercado de carbono

Quer receber o Reset no seu e-mail? Inscreva-se

A melhor cobertura de negócios e finanças sustentáveis

Contribua com o Reset e ajude a construir a mudança.