Auren Energia quer avançar em créditos de carbono — além das eólicas

Dona da Cesp, empresa que reúne ativos de energia renovável da Votorantim e CPP quer entrar em créditos florestais e agrícolas

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Uma das maiores geradoras de créditos de carbono de energia eólica no Brasil, a Auren Energia — resultado da fusão entre a Votorantim Energia e os ativos de renováveis do fundo de pensão canadense CPP no Brasil — planeja entrar também no mercado de outros tipos de créditos, inclusive os florestais. 

Com cerca de R$ 20 milhões de receita gerada anualmente com créditos de carbono, a companhia quer aproveitar sua força de vendas para oferecer também o que enxerga como uma “adjacência” do mercado de energia renovável. 

“Começamos a perceber uma demanda incipiente por crédito de carbono também e uma sinergia de fato entre os dois mercados”, afirma o vice-presidente de clientes e comercialização Raul Cadena. “Não tem uma reunião com clientes corporativos e grandes contas em que não se fale de redução de emissão de carbono.”

No fim do ano passado, a companhia começou a estruturar dentro da comercializadora uma área voltada para trading e originação de créditos de carbono e pretende fechar parcerias para avançar neste mercado. 

“Estamos olhando para florestal e temos algumas conversas também com clientes da nossa carteira que atuam no setor agropecuário”, diz Cadena. 

 

A ideia é entrar com um parceiro com expertise nesses mercados, injetar capital e também atuar como braço de comercialização dos créditos. 

Da eólica para as florestas

A Auren — que tem também um pipeline de ativos solares e engloba os ativos da hidrelétrica Cesp, privatizada em 2018 – gera todos os anos cerca de 950 mil toneladas de créditos de carbono, a maior parte delas vinda de um complexo eólico formado por dois parques na fronteira entre Pernambuco e Piauí que entraram em operação em 2017 e 2018. 

Nos últimos anos, usinas solares e eólicas têm encontrado dificuldade de cadastrar projetos na Verra, principal central de custódia de créditos, por conta de um conceito bastante caro a esse mercado: a adicionalidade. 

Para emitir um crédito, os projetos têm que provar que tem um efeito adicional, ou seja, que não existiriam não fosse o incentivo econômico dado pelo crédito – o que ficou mais complicado com o barateamento dessas fontes. 

A Auren — na época, Votorantim Energia — conseguiu aproveitar a última janela para cadastro desse tipo de crédito, que se encerrou em 2019. Seu complexo é o maior gerador de créditos VCS (como são conhecidos os créditos certificados pela Verra) eólicos no país e o segundo maior do mundo. 

Nos últimos três anos, a companhia vinha vendendo esses créditos a traders no mercado, mas diante do aumento da demanda, decidiu sofisticar a comercialização. Uma das frentes de atuação foi vender os créditos para clientes finais e traders fora do Brasil para conseguir preços melhores. 

“Hoje, já temos relacionamento em mais de dez países, além do Brasil, já fizemos vendas de créditos para três deles — Estados Unidos, Holanda e Suíça — e para dez clientes finais de forma direta no Brasil”, diz Cadena. 

Segundo eles, os créditos de eólicas registrados na Verra estão sendo negociados a cerca de US$ 5 a US$ 6, contra uma média de US$ 15 a US$ 20 para os ativos florestais, de desmatamento evitado.

Na sua incursão além das renováveis, a companhia pretende empreender internamente e descarta explorar um caminho de fusão ou aquisição de desenvolvedoras que já atuam no mercado – caminho seguido pela Shell, também de energia, mas na área de petróleo e gás, que pagou R$ 200 milhões por uma fatia minoritária na Carbonext.

“Hoje você paga uma fortuna para comprar um desenvolvedor. Só o fato de deter o conhecimento e ter um braço de comercialização já bota o valuation lá em cima”, diz o executivo. 

“Já temos R$ 20 milhões por ano  de faturamento nesse negócio, temos uma mesa de energia que alavanca a carteira de clientes e conhecimento interno para empreender.”

Olhando para dentro

Cadena reconhece que o mercado de ativos florestais tem uma complexidade maior, muito por conta da questão fundiária ligada a terras na Amazônia. “Por isso estamos avaliando o mercado com calma e os melhores parceiros”, afirma. 

Para começar, a Auren também está avaliando desenvolver projetos de restauração florestal dentro de seus ativos. 

A empresa tem um projeto de um canteiro de mudas em seu complexo eólico, para restauração do bioma da caatinga em áreas degradadas. Em São Paulo, na fronteira com o Mato Grosso do Sul, há também um horto florestal na usina de Porto Primavera, que produz mudas para Cerrado e Mata Atlântica. 

“O time de sustentabilidade está olhando para dentro de casa e vendo como é que a gente pode gerar negócio”, diz.

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