A nova aposta de Bill Gates e Amazon: fazer a aviação a hidrogênio decolar

Fundador da Microsoft e fundo climático da Amazon investem na ZeroAvia, que quer começar a vender aeronave que não emite gases de efeito estufa até 2023

 

Para Bill Gates, quando se trata de combater a crise climática, nem o céu é o limite. 

O empresário acaba de investir na ZeroAvia, uma startup de aviação que já fez um voo piloto com uma aeronave movida a hidrogênio e agora quer escalar a tecnologia. 

A ZeroAvia levantou US$ 37,7 milhões numa rodada série A liderada pelo Ecosystem Integrity Fund e pela Breakthrough Energy Ventures, fundo de investimento do bilionário fundador da Microsoft. 

Os investidores incluem ainda o fundo para iniciativas climáticas da Amazon e a Shell Ventures, além do governo britânico, que entrou com US$ 16,6 milhões, segundo a Bloomberg.

Desenvolvida com apoio de um programa governamental de incentivo do Reino Unido, a ZeroAvia está na vanguarda da mudança de um setor que contribuiu com mais de 1 bilhão de toneladas métricas de dióxido de carbono na atmosfera no ano passado, o que equivalente a 12% de todas as emissões do setor de transporte do mundo. 

Gigantes como a francesa Airbus já estão buscando aeronaves movidas a hidrogênio verde, produzido a partir de fontes de energia renováveis e que tem apenas água como subproduto. Nesse caso, a expectativa é ter os primeiros aviões sem emissões de gases de efeito estufa até 2035.

A ZeroAvia quer chegar lá antes disso. O plano é ter um avião de pequeno porte, com 20 lugares, pronto para ser comercializado até 2023, e com autonomia de cerca de 800 quilômetros.  Para 2030, a startup planeja uma aeronave com alcance de 1600 quilômetros e capacidade para 100 passageiros. 

Segundo a companhia, a aviação de curtas distâncias é a mais importante para combater os efeitos do segmento sobre o clima: metade das emissões são de voos com menos de 1600 quilômetros.

Em setembro, a companhia fez um voo experimental de 20 minutos numa aeronave de seis lugares — a primeira de tamanho considerado comercial a atingir o feito.

O próximo passo é passar para um voo de 250 milhas, distância compatível com a de pontes aéreas populares, como Londres-Edinburgo e Los Angeles-São Francisco, até o fim do ano.